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BRASILIANAS | Varejo do DF cresce segundo o IBGE, mas 'MP das blusinhas' preocupa setor empresarial

Fecomércio-DF vê risco de retração após dados positivos do IBGE relativos a março; Entidade critica impacto concorrencial da medida provisória que extingui imposto de importação

BRASILIANAS | Varejo do DF cresce segundo o IBGE, mas 'MP das blusinhas' preocupa setor empresarial
A "taxa das blusinhas" impunha imposto de importação Crédito: Internet

O comércio varejista do Distrito Federal registrou avanço significativo em março, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira (13 de maio). O volume de vendas cresceu 2,7% em relação a fevereiro, desempenho muito superior ao observado no país, que ficou em 0,5%. O resultado reforça a trajetória de recuperação iniciada em 2025 e indica um ambiente mais favorável para emprego, renda e arrecadação no DF.

A divulgação dos números, porém, coincidiu com a edição da Medida Provisória (MP) que extinguiu o imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 — medida que ficou conhecida como fim da “taxa das blusinhas”. A MP zera a alíquota federal nessa faixa de valor e mantém apenas a cobrança do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), tributo estadual que varia entre 17% e 20% conforme a unidade da federação. A mudança afeta diretamente o programa Remessa Conforme, que reúne plataformas como Shein, Shopee e AliExpress.

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A Fecomércio-DF avalia que a medida pode comprometer o desempenho recente do varejo local | Foto: TikTok

Para entidades empresariais, a alteração tende a baratear produtos importados vendidos por plataformas estrangeiras, criando um cenário de competição desigual com o varejo nacional. A Fecomércio-DF avalia que o impacto pode ser ainda mais sensível no Distrito Federal, onde o comércio tem peso relevante na atividade econômica e vem apresentando desempenho acima da média do país.

“Essa decisão pode gerar desequilíbrio concorrencial ao favorecer plataformas estrangeiras, enquanto empresas nacionais seguem arcando com carga tributária e obrigações regulatórias”, afirmou à "Brasilianas" o presidente da entidade, José Aparecido Freire. Ele defende que mudanças dessa natureza sejam discutidas com transparência e previsibilidade, e não por meio de uma MP com efeito imediato, que pode afetar competitividade, arrecadação e emprego no DF.

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Presidente da Fecomércio-DF, José Aparecido Freire | Foto: Divulgação/Fecomercio-DF

DF mantém ritmo forte no varejo e supera desempenho nacional, aponta IBGE

O Distrito Federal voltou a apresentar desempenho superior ao do país no comércio varejista, segundo a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada pelo IBGE. Em março, o volume de vendas cresceu 2,7% em relação a fevereiro, enquanto o Brasil registrou alta de 0,5%. Na comparação com março de 2025, o DF avançou 11,7%, mantendo trajetória de crescimento consistente.

O resultado também aparece nos indicadores acumulados: alta de 7,7% no ano e de 5,0% nos últimos 12 meses. No varejo ampliado — que inclui veículos, motos, material de construção e atacado de alimentos — o DF registrou aumento de 0,8% no mês e de 12,2% frente ao mesmo período do ano anterior.

Sete dos oito grupamentos pesquisados apresentaram crescimento. O destaque foi o segmento de equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação, que avançou 56,6% após meses de retração. Outros artigos de uso pessoal e doméstico cresceram 37,6%, enquanto móveis e eletrodomésticos registraram alta de 24,1%. Livros, jornais e papelaria voltaram ao campo positivo, e setores como artigos farmacêuticos e supermercados mantiveram tendência de expansão.

Para o presidente da Fecomércio-DF, José Aparecido Freire, o desempenho indica que o comércio local está retomando seu ritmo natural após um início de ano marcado por férias escolares e recessos institucionais. “O DF mostra um comportamento consistente, mas é um setor sensível a mudanças que afetem a competitividade local”, afirmou Freire à "Brasilianas". Ele destaca que a manutenção desse ciclo depende de estabilidade regulatória e de condições equilibradas de concorrência.