Sindicato diz que proposta da empresa é inaceitável e desrespeitosa com trabalhadores
As tratativas sobre o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2026/2026 para os funcionários da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), de Volta Redonda, parece estar longe de ter uma conclusão. Isso porque, o Sindicato dos Metalúrgicos do Sul Fluminense recusou, ainda na mesa de negociação, a proposta apresentada pela companhia. A entidade sindical considerou os termos apresentados como 'inadmissíveis' e sequer foi incluída a reposição integral da inflação medida pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor). Vale lembrar que, além dos trabalhadores da cidade, outros funcionários de São Paulo também aguardavam a pauta para mobilização da proposta na capital paulista.
De acordo com o sindicato, sem a recomposição das perdas inflacionárias, implicaria na redução do poder de compra dos trabalhadores. Ou seja, ainda sem novos avanços para os operários que aguardam ansiosamente a decisão após três dias do prazo final para o acordo, que estava marcado para a última sexta-feira, dia 1º de maio.
'Categoria merece respeito'
O presidente do sindicato, Odair Mariano, criticou a proposta apresentada pela empresa. "Não podemos aceitar um acordo que ignora a reposição da inflação. Isso significa perda direta no salário do trabalhador. A categoria merece respeito e valorização, e essa proposta está muito distante disso", afirmou.
Já o diretor jurídico, Leandro Vaz, ressaltou os impactos legais e sociais da proposta apresentada: "Do ponto de vista jurídico e social, é uma proposta extremamente frágil. Não garantir a recomposição inflacionária fere o princípio básico de preservação do poder de compra. O sindicato não vai compactuar com retrocessos", disse.
A reunião foi encerrada sem acordo e, até o momento, não há data definida para um novo encontro entre as partes.
Diferença entre propostas
Uma das divergências está sobre o reajuste salarial. Entre as reinvindicações do sindicato, estaria a reposição integral da inflação e cerca de 4,2% de ganho real. Enquanto isso, a CSN propõe um reajuste abaixo da inflação com cerca de 1% para salários de R$ 5 mil e 2% para salários até R$ 5 mil.
Outra diferença, é quanto a bonificação do PLR (Participação nos Lucros ou Resultados). A empresa se dispôs a pagar cerca de 2,23 salários para trabalhadores operacionais que seriam pagos em duas parcelas nos meses de junho e novembro deste ano. O Sindmetal-SF, no entanto, pede o mínimo de R$5 mil ou 2,3 salários, sem desconto do Imposto de Renda (IR), além da criação da comissão de PPR (Programa de Participação de Resultados).
Os benefícios de cartão alimentação e creche oferecidos pela empresa ficaram aquém da proposta feita pela entidade: com valor de R$1.112,07 e R$ 753,61, respectivamente. A proposta dos metalúrgicos sugeriu que o cartão alimentação aumentasse em 50%, ou seja, cerca de R$1.635,00, enquanto o auxílio creche aumentasse para o valor de R$1.000,00.
Outra demanda que não ficou clara foi com relação ao Plano de Cargo, Carreira e Salários (PPCS), que é uma demanda antiga dos funcionários.
Reações negativas e paralisação
A proposta apresentada pelo grupo, aliás, gerou uma repercussão negativa entre a categoria. Operários demonstraram o descontentamento com a siderúrgica e com o próprio sindicato e aqueceu, inclusive, uma discussão sobre uma possível paralisação na Usina Presidente Vargas (UPV).
- Vamos fazer uma paralisação novamente. O sindicato está de brincadeira com a gente. Puro teatro - disse um operário. Outro, foi além: "Era para ter cobrado a CSN já pagar o abono. O acordo nunca foi negócio junto. Vergonha de fazer parte dessa empresa", pontuou.
Outro funcionário também fez menção ao episódio de reintegração de posse do Clube Náutico, que pertence à CSN. "Vocês pagam mal, poluem a cidade, toma nossos clubes e acaba com o nosso lazer. Isso é um absurdo sem tamanho", comentou.
Balanço financeiro
O momento de enfraquecimento sindical não poderia ser mais inoportuno. Isso porque nesta mesma quarta-feira, dia 6, foi a data definida para que a CSN também divulgasse os resultados do primeiro trimestre de 2026 (1T26).
A divulgação acontece em meio a um momento turbulento enfrentado pelo presidente do grupo, Benjamin Steinbruch, que está empenhado para reduzir o endividamento de cerca de R$ 41 bilhões. A solução será a venda de ativos como a CSN Cimentos, que deve receber propostas ainda nesta sexta-feira (08). Segundo o jornal O Globo, propostas de empresas chinesas e da Votorantim já são esperadas pelo mercado.
Até o fechamento desta reportagem, por volta de 19h, o Correio Sul Fluminense não teve acesso ao balanço financeiro do grupo CSN.