Por Ana Luiza Rossi e Sônia Paes
O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, esteve em Volta Redonda, no interior do Rio, para iniciar o teste com relação à receptividade de sua pré-candidatura a presidência pelo Novo. A visita, realizada nesta terça-feira, dia 05, ocorreu em meio à tentativa de consolidação do seu nome no cenário nacional e de fortalecimento do partido no Rio.
Em entrevista concedida no Hotel Logic, no bairro Aterrado, Zema foi direto ao ponto em relação às suas críticas com o Supremo Tribunal Federal (STF), a quem apelida de 'intocáveis'. Questionado se teme ficar inelegível pelas críticas, afirmou que não tem nenhum receio.
- Minha vida já foi vasculhada de todas as formas. Quando ganhei o primeiro turno em 2018, o partido do meu concorrente mandou um exército de pessoas lá na minha cidade para vasculhar minha vida. Não encontraram nada. Se deu para fazer certa em Minas, dá para fazer certo no Brasil - destacou.
Outro ponto discutido foi com relação ao atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Zema critica a inoperância do governo em diversos temas. "Quem me acompanha, sabe que tenho três ataques. A 'gastança', o número de mortes e o choque moral, que ao meu entender, passa pela reforma no Judiciário", destaca.
Entrada do aço chinês
Zema também destacou a importância da produção de aço no Estado e que o Brasil não estaria 'calibrando' a entrada do aço chinês. Vale lembrar, inclusive, que a região Sul Fluminese é marcada pela forte presença industrial e pela influência de grandes empresas como a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN).
- Isso tem custado empregos e recolhimento de impostos que poderiam ter ficado aqui. Fui governador de um estado que é produtor de aço e lidei com esse problema. O Brasil está facilitando a importação deste insumo que nós poderíamos estar produzindo aqui - afirmou.
Questionado sobre propostas que possam impactar o Estado do Rio, Zema afirmou que quer 'aumentar o custo do crime'. "O Rio de Janeiro é o estado que mais sofre com a taxa de homicídios e com áreas controladas pelas facções e crime organizado. Em Minas Gerais, durante minha gestão, tivemos uma situação muito bem administrada. Como presidente, quero enquadrar as organizações como grupos terroristas para que o combate seja mais efetivo", pontuou.
'Choque moral'
Outra proposta - vista como polêmica, aliás - é a implantação da cultura do 'choque moral' para a política do Rio de Janeiro, com endurecimento nas regras para corrupção e até a implementação de crime de traição contra um funcionário público envolvido em caso de desvio de verbas públicas.
Depois da entrevista coletiva dada a um grupo de jornalistas, Zema seguiu para o Clube Náutico. O evento também foi marcado pela presença de André Marinho, nome escolhido para ser o pré-candidato do Novo ao governo do Estado do Rio, que tem o ex-prefeito Eduardo Paes na corrida eleitoral.
O evento reuniu apoiadores e filiados do partido. Aliás, a presença do empresário Mauro Campos foi aguardada, uma vez que disputou o Executivo de Volta Redonda pela mesma sigla de Zema. Ele é desafeto declarado do prefeito Antônio Francisco Neto, do PP, fiel ao ex-governador Cláudio Castro, e tido como um político de peso em toda a região do Médio Paraíba.
Só para se ter uma ideia da importância política de Neto, o prefeito está em seu sexto mandato e foi eleito, em 2024, no primeiro turno, com 109.688 votos. Outro apoio que dificilmente Zema conseguirá é do vice-prefeito de Volta Redonda, Sebastião Faria, filiado ao PL. Faria não esconde de ninguém que é Bolsonaro de carteirinha. A tendência, no caso de apoio à eleição presidencial, seria para Flávio Bolsonaro, pré-candidato à presidência, que descartou Zema como vice em sua chapa.
A pré-candidatura
de Zema
A pré-candidatura de Romeu Zema à Presidência tem como base principal sua gestão à frente de Minas Gerais e um discurso de redução do Estado. Ele defende um modelo econômico liberal, mirando ajuste fiscal, privatizações e diminuição dos gastos públicos. Entre as principais propostas, estão a privatização de estatais como Petrobras e Banco do Brasil, reformas administrativa e previdenciária e flexibilização das relações de trabalho. Zema é a favor ainda de corte de despesas, afirmando que isso poderia gerar economia trilionária ao país ao longo das próximas décadas.
Na área social, propõe revisão de programas como o Bolsa Família, com foco em combater fraudes e incentivar a inserção no mercado de trabalho. Já na segurança e no Judiciário, adota um discurso mais duro, com propostas de endurecimento penal e mudanças no funcionamento do STF.
Politicamente, Zema tenta se consolidar como um nome da direita, disputando espaço com outros pré-candidatos e buscando herdar parte do eleitorado conservador.