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Atividade física abre caminhos para pessoas comTEA

Janaina Miranda e Sandro Luiz são os responsáveis pelo espaço | Foto: Isadora Ventura/CSF

Por Agatha Amorim

Brincar também pode ser uma forma de aprender. É no que acreditam Sandro Luiz e Janaina Miranda, responsáveis pelo Espaço Espectro, em Volta Redonda. O local promove socialização e acolhimento para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), por meio de atividades físicas adaptadas.

Inaugurado há quatro meses, o local conta com aulas de natação, musculação e circuitos voltados para o desenvolvimento muscular e cognitivo, crianças, adultos e idosos frequentam o espaço, que também oferece atividades específicas para a terceira idade. O atendimento também se estende a adultos, público que muitas vezes encontra dificuldade em dar continuidade a esse tipo de acompanhamento após a adolescência.

Além do ensino da natação, o trabalho também inclui noções de segurança na água. Segundo os profissionais, as atividades são pensadas para que os alunos desenvolvam autonomia em situações de risco, como quedas em piscinas. "A gente também ensina sobrevivência na água. A criança aprende, por exemplo, a segurar na borda e a subir pela escada", explicam. Em um dos casos acompanhados, uma criança conseguiu se manter segura após cair na piscina ao aplicar o que havia aprendido nas aulas.

As aulas podem ser coletivas ou individuais, com planejamento voltado para a necessidade de cada aluno. Pais e responsáveis também podem acompanhar as atividades.

Segundo os profissionais, o trabalho parte da individualidade de cada aluno e vai sendo ajustado ao longo do processo. "Cada aluno chega com uma necessidade diferente. A gente vai observando no dia a dia, entendendo como ele responde às atividades e adaptando tudo conforme essa evolução", explicam.

Eles ressaltam que não existe um modelo único de atendimento. "Nada aqui é padrão. O que funciona para um, não necessariamente vai funcionar para outro. Por isso que a gente vai construindo junto, atividade por atividade, respeitando o tempo de cada um", afirmam.

A criação do espaço também tem relação com a vivência pessoal de um dos fundadores, que possui um irmão com autismo. A experiência dentro da própria família contribuiu para a construção da proposta do local, voltada ao acolhimento e ao desenvolvimento por meio da atividade física. A falta de iniciativas semelhantes na região também foi um dos fatores que motivaram a criação do espaço.

O uso de atividades físicas como base do trabalho aparece como um dos principais diferenciais do espaço. "A proposta aqui é essa. A gente trabalha com movimento o tempo todo, dentro do que cada um consegue fazer, e vai estimulando a participação deles nas atividades", dizem.

O aspecto lúdico também faz parte da abordagem adotada pelos profissionais. "A gente transforma as atividades em algo mais leve, mais próximo da brincadeira, porque isso facilita muito a participação deles. Quando eles se envolvem, o desenvolvimento acontece junto", completam.

O impacto do trabalho também é percebido no dia a dia das famílias. Segundo os fundadores, o espaço funciona como um ponto de apoio para pais e responsáveis, que acompanham de perto a evolução dos alunos. Pequenos avanços, como segurar um objeto ou realizar um movimento simples, já são considerados grandes conquistas. Além disso, durante as atividades, muitos responsáveis conseguem ter um momento de pausa na rotina.

Os interessados podem entrar em contato pelo WhatsApp (24) 99850-6252 para agendar uma aula experimental. O Espaço Espectro fica na Avenida Oscar de Almeida Gama, nº 576, no bairro Aterrado.