Lideranças de diferentes segmentos do setor mineral estiveram reunidas nesta terça-feira (28), em Brasília (DF), no I Fórum de CEOs da Mineração, para debater sobre os desafios e casos de sucesso no país. Durante o evento, o presidente da Indústrias Nucleares do Brasil (INB), Tomás Albuquerque, abordou o tema "Diálogo, Política e Sociedade", destacando a importância da construção de relações de confiança para o desenvolvimento sustentável da mineração de urânio no Brasil.
Tomás Albuquerque explicou que sua chegada à INB ocorreu em um contexto de crescente relevância dos minerais críticos e nucleares. Segundo ele, a empresa buscou fortalecer a interlocução com o setor mineral e criar "um ambiente em que o setor privado se sentisse confortável em dialogar com o setor público para impulsionar um novo momento de prospecção de urânio no Brasil". O objetivo é estabelecer uma relação de confiança, que viabilize parcerias com o setor privado, capazes de ampliar o conhecimento geológico e a produção nacional.
O presidente da INB ressaltou ainda que a empresa atua em uma atividade sensível e altamente regulada, o que exige uma abordagem diferenciada no relacionamento com a sociedade e os órgãos públicos, com foco na transparência e na capacidade constante de diálogo. "Como empresa pública, a nossa responsabilidade é até maior e mais desafiante do que a do próprio setor privado, porque, quando a gente interage com as comunidades, elas enxergam em nós o próprio governo. O governo olha para a gente e enxerga uma companhia que tem a sua própria governança e dinâmica. Os órgãos reguladores também entendem a gente de uma outra forma, um pouco híbrida" afirmou.
Outro ponto levantado foi a necessidade de reconhecer desafios históricos e aprimorar a comunicação com seus públicos de interesse. Albuquerque mencionou que experiências passadas ainda impactam a percepção sobre a atividade mineral, o que reforça a importância de apresentar, de forma clara, as práticas atuais e os avanços regulatórios. "É preciso reconhecer essa problemática e apresentar à comunidade o que a gente faz, demonstrar que o Brasil de hoje, com a legislação ambiental e com todas as ressalvas sociais, que a gente acompanha, ele é diferente", disse.
Albuquerque também destacou que o cenário atual elevou a mineração a um novo patamar estratégico, não apenas econômico, mas também geopolítico. Nesse contexto, ele defendeu a importância de ampliar o diálogo com diferentes atores institucionais.