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INB quer impulsionar setor de urânio e atrair novos parceiros

Por Redação

As perspectivas para o setor mineral brasileiro no contexto geopolítico e da transição energética foram debatidas em um painel na terça-feira, 17 de março, em Brasília, como parte da programação do encontro Pós-PDAC 2026, que reuniu especialistas, autoridades e lideranças do setor mineral. O objetivo do evento foi discutir os principais insights e tendências apresentados durante a convenção da Associação de Prospectores e Desenvolvedores do Canadá (Prospectors & Developers Association of Canada - PDAC), considerada a maior e mais importante da indústria da mineração, realizada em Toronto no início do mês, e que teve participação da Indústrias Nucleares do Brasil (INB).

O painel "O Futuro da Mineração no Brasil - Perspectivas do Setor após a PDAC 2026" discutiu a crescente visibilidade do Brasil no cenário internacional da mineração, impulsionado pela demanda por minerais estratégicos e pelo avanço da transição energética. O superintendente de Novos Negócios e Minerais Estratégicos Associados ao Urânio da INB, Saulo Fernando Ribeiro, ressaltou que o urânio ocupa posição central nesse novo cenário global. Segundo ele, a demanda pelo mineral tende a crescer significativamente nos próximos anos, ficando além da capacidade atual de produção.

-A demanda para 2030 supera a produção, e muito. Então, vai faltar urânio se não houver novos projetos de exploração entrando no mundo afora - afirmou o representante da INB, destacando o caráter estratégico do recurso no contexto energético e geopolítico.

A produção de urânio no Brasil é monopólio da INB, empresa que atua na cadeia produtiva do minério, desde a mineração até a fabricação do combustível que abastece as usinas nucleares brasileiras. Saulo ressaltou o alto custo e a complexidade da atividade, que evidenciaram a necessidade de novos modelos para viabilizar a expansão do setor.

Nesse sentido, mudanças recentes na legislação, que ainda aguardam regulamentação, passaram a permitir a participação da iniciativa privada, preservando as especificidades do regime nuclear brasileiro.

A INB trabalha atualmente no desenvolvimento de modelos de negócios para essas parcerias, com definição de regras claras de atuação. Em fevereiro, o Ministério de Minas e Energia (MME) encaminhou à Casa Civil a minuta de um decreto que regulamenta a participação de grupos privados na exploração de urânio. "Esperamos que, no futuro breve, venha a ser publicado e possamos atrair parceiros", disse.

Interesse internacional

O interesse internacional, segundo o executivo, já é significativo. "O presidente da INB, Tomás Albuquerque, esteve no PDAC, e voltou impressionado com a procura que teve por lá, e colocou como meta desafiadora que, até este ano, a gente consiga realizar uma primeira parceria de grande porte na INB", afirmou.

O painel, que contou com a participação de Cinthia Rodrigues, gerente de Pesquisa e Desenvolvimento de Assuntos Minerários do IBRAM, e Isabela Cunha, conselheira jurídica sênior da Lundin Mining Brasil, também abordou outros desafios à plena realização do potencial mineral do país, como a previsibilidade de prazos e a articulação entre diferentes níveis de governo.

Ainda assim, o cenário foi considerado promissor. Com demanda global aquecida e interesse crescente por minerais estratégicos, o país tem a oportunidade de consolidar sua posição como fornecedor relevante, especialmente no setor nuclear.

A programação do encontro Pós-PDAC 2026 também teve a presença de Ron Klapphos, oficial sênior de Comércio da Embaixada do Canadá para o Brasil, Mauro Henrique Moreira Sousa, diretor-geral da Agência Nacional de Mineração, Anderson Arruda, diretor do Departamento de Transformação e Tecnologia Mineral do Ministério de Minas e Energia, e João Marcos Pires, diretor de Planejamento e Política Mineral do MME, entre outras autoridades.

Sobre a INB

Fundada em 1988, a Indústrias Nucleares do Brasil - S.A (INB) incorporou as empresas que faziam parte da Nuclebrás, criada para cumprir o Acordo Nuclear Brasil - Alemanha. Com o objetivo de concentrar todo o ciclo de produção do combustível nuclear - desde a mineração até a montagem e entrega do elemento combustível -, a INB foi idealizada para impulsionar a produção da energia nuclear no país.

Um dos marcos na produção de energia nuclear no Brasil a implantação da INB foi o desenvolvimento da tecnologia de ultracentrifugação no final da década de 1970.