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Ações da CSN derretem após resultado ácido do quarto trimestre

Ações da CSN figuraram entre as principais quedas da Ibovespa | Foto: Bora Investir B3

Por Sônia Paes

As ações da CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) fecharam em forte queda no Ibovespa nesta quinta-feira, dia 12, depois da divulgação dos resultados do quarto trimestre de 2025, feita no final da noite de quarta-feira, dia 12. Os papéis (CSNA3) figuraram entre as principais perdas da bolsa: chegaram a cair até 10%, o menor preço desde abril de 2020. As ações da CSN Mineração - um dos braços da holding - sofreram leve baixa.

De acordo com o balanço, a CSN teve prejuízo líquido de R$ 721 milhões no trimestre. Ou seja: 748% ainda maior do que o resultado também negativo, registrado no 4T24, que foi de R$ 85 milhões. Já no acumulado de 2025, o prejuízo líquido da Companhia foi de R$ 1,5 bilhão, se comparado com o mesmo período do ano passado.

A receita líquida da CSN totalizou R$ 11,403 bilhões no quarto trimestre. Uma queda de 5,2% em relação a 2024. Em 2025, por sua vez, a receita líquida fechou em R$ 44,798 bilhões, 2,5% maior do que em 2024.

Já o lucro da CSN Mineração - um dos braços do Grupo de Benjamin Steinbruch - caiu para R$ 1,19 bi no quarto trimestre, mostrando um recuo de mais de 40% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, ainda segundo balanço divulgado na quarta-feira. Mesmo com a queda, o lucro ficou acima das expectativas do mercado, de R$ 824 milhões.

O EBITDA (Lucros antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) da CSN foi de R$ 3,0 bilhões, com leve recuo de 0,3%.

- Essa melhora na rentabilidade reflete não apenas a resiliência apresentada ao longo do trimestre, principalmente quando se considera a sazonalidade negativa do período de chuvas e o período de atividade comercial mais fraca, mas também o efeito extraordinário verificado no segmento de siderurgia com os efeitos da ociosidade e variações de estoques - informou a CSN, por meio do balanço divulgado.

Conforme os números do balanço, a receita líquida da CSN chegou a R$ 11,403 bilhões no quarto trimestre, mostrando uma queda de 5,2% na comparação anual. Com relação a estes números, a empresa alega que parte desse recuo ocorre por fatores sazonais. Exemplo: o último trimestre do ano já costuma registrar atividade comercial mais moderada. Além disso, o período de chuvas afeta operações ligadas à mineração e logística, que fazem parte do conglomerado.

Empréstimo para desalavancar dívida

Em meio à divulgação de um balanço com números nada bons, o presidente do Grupo CSN, Benjamin Steinbruch, corre contra o tempo para conseguir um empréstimo para dar andamento no processo de redução da dívida da empresa, que chegava na casa dos R$ 41,2 bilhões ao final de 2025.

A intenção do CEO da holding é fechar a operação ainda em abril, qando vencem títulos de dívida no exterior, os chamados bonds, além de reduzir dívidas bancárias. A expectativa é de que haja caixa ainda para recomprar parte dos títulos com vencimento em 2028.

A CSN Cimentos está sendo dada como garantia no empréstimo entre US$ 1,35 bilhão e US$ 1,5 bilhão negociado com um grupo de bancos no mercado doméstico.

Um acidente na Usina Presidente Vargas

2026 ficará decididamente como um dos piores da história da CSN. No mesmo dia em que divulgou um balanço financeiro amargo, uma terceirizada da empresa, a CBSI, teve que divulgar nota para explicar outro acidente ocorrido no interior da Usina Presidente Vargas, da CSN, que fica em Volta Redonda-RJ. A funcionária da CBSI sofreu o acidente na quarta-feira, dia 11, e está internada no Hospital Santa Cecília, em estado de saúde estável. Ela se acidentou na área de Aços Longos da Usina.

Em nota, a empresa afirmou que "a profissional recebeu atendimento imediato pelas equipes de emergência no local e foi encaminhada ao Hospital, onde permanece sob cuidados médicos". A CBSI disse ainda está prestando toda a assistência necessária à colaboradora e aos seus familiares. "A empresa reforça que a segurança de seus colaboradores é um valor prioritário".