Por:

Firjan alerta para insegurança viária na BR-393 em audiência

Com o objetivo de fortalecer a articulação institucional junto ao governo federal sobre melhorias na BR-393 (Rodovia Lúcio Meira), a Firjan participou da audiência pública realizada em Brasília, na Câmara dos Deputados, nesta terça-feira (14/4). Márcio Fortes de Almeida, diretor de Relações Institucionais da Firjan, apresentou as ações que a federação considera urgentes para que a rodovia retome a sua capacidade operacional com segurança e qualidade. A estrada é uma das principais vias logísticas das regiões Sul e Centro-Sul Fluminense e importante corredor de ligação com o Nordeste do país.

Há cerca de 10 meses, a BR-393, entre Sapucaia e Volta Redonda, está sob gestão do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) por conta da descontinuidade da concessão anterior. Desde então, a rodovia está em processo de deterioração e tornou-se perigosa, apresentando hoje o pior nível de qualidade entre as rodovias administradas pelo DNIT, em especial, no trecho entre Barra do Piraí e Vassouras. As reclamações vão desde a péssima qualidade do asfalto, que representa riscos de acidentes fatais, até a ausência de radares de fiscalização de velocidade, guinchos e ambulâncias.

Trecho estratégico

A estrada faz a ligação entre o estado e Minas Gerais, indo até o entroncamento com a BR-116 Sul (Dutra). O trecho é considerado estratégico para a logística e o escoamento de produção no interior do Rio de Janeiro, principalmente para os municípios do Sul e do Centro-Sul fluminense. Por isso, além da insegurança viária, a má conservação da via impacta nas atividades industriais da região.

Na audiência, ficou evidente o entendimento unânime sobre a necessidade de intervenções emergenciais na recuperação da rodovia e de liberação de recursos para o DNIT, além da importância da fiscalização pelo Ministério Público Federal dos contratos em execução e da atuação da Polícia Rodoviária Federal (PRF) para evitar acidentes.

Para Márcio Fortes, o debate, além da importância para o crescimento econômico, traz à tona uma questão fundamental: a vida. "Quando falamos sobre a recuperação da rodovia, a modelagem da nova concessão, estamos falando também em comprometimento de vida a serem resguardadas e geração de emprego. A região tem 8,5 mil indústrias. Emprego é vida. Diante deste cenário, temos que dialogar com a sociedade para saber também o que ela quer. Entre os pontos que a Firjan aponta para esta retomada estão duplicação de vias e cronogramas claros de gestão". O executivo reforçou a importância de a rodovia estar em condições seguras para o tráfego de veículos, assim como para a população que mora no entorno.

Fortes destacou ainda que a entidade está atenta a quebras de contrato, lembrando que a concessão anterior previa R$ 1,4 bilhão de investimentos, mas em 2022, as obras atingiram 50% do previsto. "A BR-393 tem forte presença na mobilidade industrial, logística e de serviços, conectando áreas produtivas relevantes ao sistema rodoviário nacional. A perda de fluidez da via afeta o quê? Afeta diretamente custos operacionais, tempo de deslocamento, confiabilidade das entregas e competitividade regional", disse.

O deputado federal Bebeto (PP-RJ), da Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados, reforçou a necessidade da BR-393 voltar a ter mobilidade para o escoamento de cargas e infraestrutura mínima para segurança viária após a caducidade do contrato da última concessionária.

Também na audiência, Bráulio Fernando Lucena, coordenador-geral de Manutenção e Restauração Rodoviária do DNIT, disse que medidas vêm sendo tomadas para mitigar os problemas.