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Vigilância alerta para falhas em alimentos

Um em cada quatro alimentos analisados no estado do Rio de Janeiro apresentou algum tipo de irregularidade em 2025, segundo dados da Vigilância Sanitária estadual. O índice, considerado preocupante, levou a Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro a reforçar a atuação junto aos municípios, com foco na melhoria da qualidade dos produtos consumidos pela população.

Ao longo do ano passado, foram emitidos 996 laudos pelo Laboratório Central de Saúde Pública Noel Nutels, sendo que 259 deles — o equivalente a 26% — indicaram resultados insatisfatórios. Entre os produtos com maior incidência de problemas estão itens de consumo cotidiano, como leite UHT, queijo minas e gelados comestíveis, incluindo sorvetes.

De acordo com a Vigilância Sanitária, no caso do leite UHT, foram identificadas situações de crescimento de microrganismos incompatíveis com o tipo de processamento ao qual o produto é submetido. O dado acende um alerta sobre possíveis falhas em etapas como industrialização, armazenamento ou transporte.

Diante desse cenário, o estado tem intensificado ações de capacitação voltadas aos fiscais sanitários municipais, dentro do Programa de Monitoramento da Qualidade Sanitária dos Alimentos. A proposta é padronizar procedimentos, ampliar a adesão dos municípios e fortalecer a fiscalização em toda a cadeia produtiva.

Além de abordar aspectos técnicos, os treinamentos incluem atividades práticas, como estudos de caso e simulações de situações enfrentadas no dia a dia das inspeções. Também são apresentados documentos e protocolos utilizados nas ações fiscais, com o objetivo de reduzir falhas operacionais e aumentar a efetividade das medidas adotadas.

Outro ponto incentivado é a inclusão de alimentos produzidos localmente no monitoramento, e não apenas aqueles comercializados. A medida busca ampliar o alcance das ações e atuar diretamente na origem dos problemas, contribuindo para melhorias na produção regional.

Segundo a SES-RJ, o programa tem registrado avanços nos últimos anos, especialmente no aumento da participação dos municípios. Entre 2021 e 2025, o número de cidades envolvidas passou de 55 para 76.