Por Agatha Amorim
A BR-393, conhecida como Rodovia Lúcio Meira, voltou a registrar acidentes no Sul Fluminense e tem gerado preocupação entre motoristas e autoridades. Nesta semana, ao menos duas ocorrências envolvendo veículos de carga foram registradas em Barra do Piraí, deixando pessoas feridas.
Um dos acidentes aconteceu na quarta-feira (8), quando uma carreta perdeu o controle e atingiu dois carros, deixando sete pessoas feridas. As vítimas foram atendidas no local e encaminhadas para unidades de saúde da região.
Dias antes, outro acidente também foi registrado no município, envolvendo veículos de grande porte e deixando um caminhoneiro gravemente ferido. Os dois acidentes foram registrados em um intervalo de poucos dias, em Barra do Piraí.
Motoristas que trafegam pela BR-393 relatam prejuízos constantes. Há registros de pneus furados, veículos danificados e dificuldades na condução, principalmente em trechos com buracos e irregularidades no asfalto. Em alguns pontos, condutores afirmam que precisam reduzir a velocidade ou desviar de imperfeições na pista, o que aumenta o risco de acidentes, especialmente em períodos de maior movimento e presença de veículos pesados.
Problemas antigos
A situação, no entanto, não é recente. Em março deste ano, o Correio Sul Fluminense já havia mostrado a presença de mais de 20 buracos e trechos deteriorados entre Volta Redonda e Barra do Piraí, mesmo após serviços de manutenção realizados na rodovia.
Na ocasião, as intervenções foram consideradas pontuais e concentradas em áreas específicas, sem resolver de forma definitiva os problemas estruturais da via. Mesmo com investimentos anunciados para recuperação do pavimento, motoristas continuaram relatando dificuldades ao longo do trajeto, com queixas sobre a irregularidade da pista em diferentes pontos.
Além das condições do asfalto, usuários também apontam falhas na sinalização e vegetação avançando sobre as margens da rodovia, o que pode comprometer a visibilidade em alguns pontos, principalmente em trechos de curva ou com menor iluminação.
Pressão na Justiça
Diante do agravamento do cenário, a prefeita de Barra do Piraí, Katia Miki, ingressou com uma ação civil pública na Justiça Federal pedindo que o DNIT seja obrigado a realizar intervenções emergenciais na rodovia.
O processo foi protocolado no dia 6 de abril e tramita na 1ª Vara Federal de Barra do Piraí, com valor estimado em R$ 1 milhão. A ação solicita medidas imediatas para garantir condições mínimas de segurança aos motoristas, diante do aumento recente de ocorrências registradas no trecho.
Além da iniciativa judicial, a prefeita deve levar a situação da rodovia a Brasília. Está prevista, para o dia 14 de abril, uma audiência pública na Comissão de Viação e Transportes, onde representantes da região devem cobrar providências do governo federal e discutir possíveis encaminhamentos para a situação da rodovia.
Segundo Katia Miki, a situação da rodovia tem gerado impactos diretos nos municípios desde o fim da concessão.
"Não estamos falando de grandes obras. Estamos falando do mínimo: condições de trafegabilidade e segurança para quem utiliza essa rodovia todos os dias", afirmou.
Municípios sobrecarregados
Sem a estrutura que antes era mantida pela concessionária, parte das demandas emergenciais passou a ser absorvida pelas prefeituras. Ambulâncias municipais têm sido deslocadas com frequência para atender ocorrências na rodovia, o que impacta o atendimento dentro das cidades e exige reorganização dos serviços locais.
De acordo com a prefeita, esse tipo de situação tem se tornado recorrente, especialmente diante do aumento de acidentes ao longo da BR-393, o que demanda atuação constante das equipes municipais.
Ela também afirmou que nenhum município tem condições financeiras ou operacionais de assumir a manutenção de uma rodovia federal, devido à extensão da via e à complexidade dos serviços necessários, que incluem conservação do pavimento, sinalização e atendimento a emergências.
Rodovia sob gestão federal
Atualmente, a BR-393 está sob responsabilidade do DNIT, após a suspensão do contrato com a concessionária que administrava o trecho.
Em nota, o DNIT informou que a rodovia está contemplada por contrato de manutenção, com a realização de serviços de fresagem e recomposição em pontos específicos, com o objetivo de melhorar as condições de trafegabilidade e segurança.
Apesar disso, usuários seguem relatando problemas ao longo da via, especialmente relacionados às condições do pavimento.