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Preço do self-service sobe e muda rotina de consumidores

Por Agatha Amorim

Almoçar fora de casa, um hábito comum para quem enfrenta a rotina de trabalho em Volta Redonda, tem se tornado cada vez mais caro. A praticidade dos restaurantes por quilo ainda atrai clientes, mas os preços já fazem muitos consumidores repensarem a escolha.

Levantamento realizado pelo Correio Sul Fluminense em restaurantes dos bairros Aterrado, Amaral Peixoto e Retiro mostra que o valor do self-service por quilo varia entre R$ 45 e R$ 99,90 durante a semana. Em alguns casos, a presença de churrasco e cortes de carne mais nobres influencia diretamente no valor final da refeição. Já restaurantes com opções mais simples tendem a manter preços mais acessíveis, ainda que também tenham registrado aumento nos últimos meses.

Além do modelo por peso, muitos estabelecimentos oferecem alternativas voltadas para quem busca economia. As refeições sem balança foram encontradas com valores entre R$ 18,90 e R$ 27, funcionando como uma opção mais previsível para o consumidor, que já sabe quanto vai pagar antes mesmo de montar o prato.

O prato feito (PF), bastante popular entre trabalhadores, também apresenta variação significativa de preço. Durante o levantamento, os valores ficaram entre R$ 19 e R$ 53, dependendo principalmente da proteína escolhida. Pratos com omelete aparecem entre os mais baratos, seguidos pelas opções com frango. Já as refeições com carne bovina ou peixe costumam ter custo mais elevado, sendo o peixe, na maioria das vezes, a alternativa mais cara do cardápio.

Mudança de hábitos

Os preços observados consideram dias úteis, período de maior movimento nos restaurantes das regiões analisadas. Ainda assim, o impacto no orçamento já é sentido por quem depende dessas refeições ao longo da semana, especialmente trabalhadores que almoçam fora diariamente.

Diante desse cenário, mudanças de hábito têm se tornado cada vez mais comuns. Reduzir a frequência nos restaurantes, escolher opções mais simples ou até substituir completamente as refeições fora de casa são algumas das estratégias adotadas para equilibrar as contas no fim do mês.

Levar marmita, por exemplo, voltou a fazer parte da rotina de muitos trabalhadores, seja como alternativa fixa ou como forma de intercalar os dias em que se come fora. A prática, além de mais econômica, também permite maior controle sobre a alimentação e planejamento dos gastos.

É o caso do funcionário público Felipe Augusto, que decidiu rever seus hábitos diante do aumento dos preços.

"Eu costumava almoçar na rua com frequência, principalmente por questão de praticidade no dia a dia de trabalho. Só que, com o tempo, ficou difícil manter esse hábito. Os preços dos restaurantes aumentaram bastante, e isso acaba pesando no orçamento no fim do mês", relatou.

Segundo ele, a mudança para a marmita foi uma decisão necessária para manter o equilíbrio financeiro.

"Hoje, levar marmita passou a ser uma alternativa muito mais viável. Quando você coloca na ponta do lápis, percebe que cozinhar em casa sai bem mais em conta. Além disso, no meu caso, que sou casado, essa economia faz ainda mais diferença, porque é uma organização que beneficia nós dois", afirmou.

Felipe destaca ainda que a adaptação exigiu planejamento, mas trouxe resultados positivos no dia a dia, tanto no controle dos gastos quanto na qualidade da alimentação.

"Acaba sendo também uma questão de organização. A gente se programa, faz as compras e prepara a comida durante a noite. Assim, conseguimos ter mais controle sobre os gastos e também sobre a alimentação. No fim, além de ser mais econômico, também pode ser mais prático no dia a dia", concluiu.