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Anvisa realiza alerta para risco hepático com uso de cúrcuma

Autoridades alertam para uso sem orientação e destacam riscos de altas doses | Foto: Divulgação

O alerta recente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre possíveis danos ao fígado associados ao uso de suplementos e medicamentos à base de cúrcuma chama a atenção também no estado do Rio de Janeiro. A investigação que motivou a recomendação identificou casos raros, porém graves, de inflamação e lesões hepáticas ligados principalmente ao consumo de cápsulas e extratos concentrados de curcumina, substância ativa presente na planta.

Diante desse cenário, a Secretaria de Estado de Saúde do Rio (SES-RJ) orienta cautela no uso desses produtos. Apesar de serem frequentemente comercializados como naturais, suplementos alimentares podem apresentar riscos quando consumidos sem acompanhamento profissional. A superintendente estadual de Vigilância Sanitária, Helen Keller, destaca que a origem natural não elimina a possibilidade de efeitos adversos.

Segundo ela, o consumo inadequado, especialmente em doses elevadas ou por pessoas com condições específicas de saúde, pode provocar reações indesejadas. Por isso, a recomendação é evitar a automedicação e buscar orientação médica ou nutricional antes de iniciar o uso de qualquer suplemento.

O alerta não se aplica ao uso culinário da cúrcuma, utilizada como tempero no dia a dia. O risco está associado às versões concentradas, como cápsulas e extratos, que podem conter quantidades muito superiores às encontradas nos alimentos. A diferença está na concentração do princípio ativo e na forma de absorção pelo organismo.

A nutricionista Alessandra Torres, da Vigilância Sanitária estadual, explica que nos suplementos a quantidade de curcumina é maior e, em alguns casos, há tecnologias que aumentam sua absorção. Ela ressalta que existe uma dosagem máxima recomendada e que o consumo dentro desse limite tende a ser considerado seguro.

Mesmo assim, alguns grupos exigem atenção especial, como gestantes, menores de 19 anos e pessoas com doenças hepáticas. A orientação é que o uso ocorra apenas com acompanhamento profissional. Também é importante verificar a procedência dos produtos e evitar compras em locais sem garantia de origem.

De acordo com a hepatologista Clarice Gdalevici, efeitos adversos no fígado relacionados ao uso de suplementos já são conhecidos e não se restringem à cúrcuma. Fórmulas que combinam diferentes substâncias muitas vezes não passam por estudos científicos robustos, o que dificulta prever seus impactos.

Ela explica que as reações podem variar de alterações leves em exames até quadros mais graves, como hepatite e icterícia. Em alguns casos, a resposta depende da sensibilidade individual.

Os primeiros sinais podem surgir em exames de rotina, antes de sintomas mais evidentes. Quando aparecem, incluem náuseas, urina escura e olhos amarelados. Nesses casos, a orientação é suspender o uso do produto e procurar atendimento médico para avaliação adequada.