Por Sônia Paes
A Agência Nacional de Petróleo (ANP) mandou interditar a base da Vibra Energia após a explosão ocorrida na madrugada deste domingo (22). O empregado de uma terceirizada que presta serviços à Vibra, de apenas 24 anos, ficou gravemente ferido e outros dois, que trabalhavam na manutenção da unidade, continuavam desaparecidos. Pela decisão da ANP, dada no final da tarde de domingo, a "empresa está impedida de movimentar produtos perigosos e só poderá retomar as atividades depois de autorizada pela Agência". A ANP informou ainda que uma equipe será enviada para o município do sul do estado.
Um helicóptero do Corpo de Bombeiros do Rio auxilia nas buscas, mas a operação é complexa pois exige o transbordamento do combustível do tanque TQ-1310, onde as buscas pelas vítimas serão realizadas. O tanque tem capacidade para 2 milhões de litros de álcool e, no momento do acidente, continha aproximadamente 350 mil litros do produto. Na hora da explosão, a empresa fazia serviços de solda. A informação foi dada pela própria Vibra.
Por volta das 11 horas, o Grupamento de Operações com Produtos Perigosos do Corpo de Bombeiros determinou a evacuação preventiva da população em um raio de 300 metros ao redor da base, como medida de segurança. Até às 10 horas, a área era monitorada apenas por policiais civis e militares, que orientavam a população a não ficar próxima à área do acidente. "Não temos como isolar nada no entorno, pois trata-se de uma empresa privada", disse um policial civil, à reportagem do Correio Sul Fluminense.
Sala de Crise é instalada
As famílias que precisarem deixar suas casas por conta da evacuação terão hospedagem e transporte garantidos. A informação foi dada no final da tarde de ontem pela prefeitura. Foi instalada uma Sala de Crise na sede da Universidade Federal Fluminense (UFF), onde as famílias receberão orientação e encaminhamento adequado.
A operação de retirada do combustível foi iniciada com caminhões-tanque realizando a remoção inicial de aproximadamente 180 mil litros. As buscas pelas duas pessoas desaparecidas continuam de forma ininterrupta, com apoio de drones, embarcações e equipes especializadas.
As ações seguem sob coordenação do Corpo de Bombeiros, com acompanhamento da Defesa Civil, da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e demais órgãos competentes, obedecendo rigorosamente aos protocolos de segurança.
Estado gravíssimo
Hércules de Aguiar Souza, de 24 anos, deu entrada na unidade hospitalar, às 1h47, e foi levado pelo Corpo de Bombeiros, com múltiplas queimaduras decorrentes do incêndio. Segundo a prefeitura, ele foi imediatamente encaminhado à sala vermelha, onde recebeu os primeiros atendimentos de emergência, incluindo intubação, suporte ventilatório, reposição volêmica e estabilização clínica.
Após avaliação e procedimentos iniciais, foi encaminhado ao centro cirúrgico e, em seguida, à UTI especializada. Ainda segundo informações do município, o paciente encontra-se sedado, sob ventilação mecânica e recebendo cuidados intensivos, "com quadro considerado grave, porém hemodinamicamente estável". Os nomes dos desaparecidos não foram divulgados.
Vibra divulga nota
No final da manhã, a Vibra confirmou o acidente e disse que acompanha a prestação de apoio da empresa terceirizada, que não teve o nome divulgado. "A Vibra informa que, na madrugada deste domingo (22), houve uma explosão e subsequente incêndio em um dos tanques de armazenamento de sua base localizada no bairro Aterrado, em Volta Redonda, durante atividade de manutenção de equipamentos", afirmou. A equipe da Vibra e o Corpo de Bombeiros seguem no local na busca pelos desaparecidos.
"O ambiente já se encontra seguro: o incêndio foi controlado, sem impactos ao meio ambiente", diz um trecho da nota divulgada pela empresa.
Ainda de acordo com a empresa, o risco de desabastecimento de combustível na região do Médio Paraíba foi descartado. Isso, no entanto, mesmo antes de a ANP determinar a interdição da unidade de Volta Redonda.
"A companhia já acionou rotas logísticas alternativas para atendimento dos clientes; o polo supridor será remanejado para as bases de Duque de Caxias e São José dos Campos", explicou a Vibra, em nota à imprensa.
De BR Distribuidora à Vibra
A privatização da BR Distribuidora, a maior distribuidora de combustível do país, hoje conhecida como Vibra Energia (VBBR3), foi concluída em julho de 2021, quando a Petrobras vendeu sua participação, na ocasião por R$ 11,3 bilhões. A vencedora do leilão, no caso a Vibra, mudou o nome, mas mantém o direito de usar a marca Petrobras nos postos de combustíveis até 2029. Ou seja: até mais três anos.
A privatização da BR Distribuidora ocorreu em virtude do plano de desinvestimento da Petrobras para focar em exploração e produção de petróleo. Com a venda, a empresa tornou-se uma companhia privada de energia, sem ter apenas um acionista controlador.
A base da empresa em Volta Redonda-RJ fica ao lado da Transpetro e, por isso, foi divulgado inicialemte que o acidente teria acontecido em um dos tanques da subsidiária da Petrobras. A informação, no entanto, logo foi retratada. O terminal - conhecido como Tevol - é responsável pelo fornecimento de álcool, diesel e gasolina para o grupo das companhias distribuidoras. Além disso, a estatal recebe óleo combustível por caminhões-tanque e realiza o bombeamento para a CSN (Companhia Siderúrgica Nacional).