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Quase metade da população de Petrópolis está inadimplente, aponta CDL

Petrópolis encerrou 2025 com 136 mil consumidores negativados, o equivalente a 48,8% da população do município, acendendo um sinal de alerta para o comércio e para a economia local. Na prática, quase um em cada dois petropolitanos enfrenta algum tipo de restrição no CPF. Os dados são da Câmara de Dirigentes Lojistas de Petrópolis (CDL), com base em levantamentos da CNDL e do SPC Brasil.

Em comparação com 2024, quando a cidade tinha cerca de 128 mil inadimplentes, o crescimento foi de 6,25% em um ano. Embora o percentual seja inferior à média nacional, o impacto proporcional preocupa por causa do tamanho da população, estimada em cerca de 278 mil habitantes.

Para o presidente da CDL Petrópolis, Claudio Mohammad, os números mostram a gravidade do cenário local. "Mesmo crescendo menos do que a média nacional, Petrópolis vive uma situação muito delicada. Ter quase metade da população negativada compromete o consumo, reduz o giro de capital das empresas e cria um ambiente de insegurança para novos investimentos", afirma.

O quadro local acompanha uma tendência preocupante em todo o país. O Brasil encerrou 2025 com recorde histórico de inadimplência, atingindo 73,49 milhões de consumidores negativados, o que corresponde a 44,02% da população adulta. Em dezembro, o número de devedores cresceu 10,17% em relação ao mesmo mês de 2024, acima do registrado em novembro. Na comparação mensal, de novembro para dezembro, houve alta de 0,87%.

Os dados nacionais da CNDL e do SPC Brasil mostram ainda que, em dezembro de 2025, cada consumidor negativado devia, em média, R$ 4.832,98, somando todas as pendências, e tinha dívidas com 2,24 empresas credoras. Quase três em cada dez consumidores (30,98%) tinham dívidas de até R$ 500, percentual que sobe para 43,82% quando consideradas dívidas de até R$ 1.000. "O fato de grande parte das dívidas estar concentrada em valores relativamente baixos indica que, com políticas adequadas de renegociação e educação financeira, muitos consumidores poderiam regularizar sua situação. Isso teria um impacto imediato na retomada do consumo e no fortalecimento da economia local", destaca Claudio Mohammad.

Outro dado que chama atenção é o volume de dívidas em atraso no país. Em dezembro de 2025, o número de dívidas cresceu 17,14% na comparação anual, acima do registrado no mês anterior. Na passagem de novembro para dezembro, houve aumento de 1,31%.

Entre os setores credores, o maior crescimento foi em Água e Luz (21,32%), seguido por Bancos (18,12%), Comunicação (9,73%) e Comércio (1,51%). Os bancos concentram 65,16% do total das dívidas, seguidos por Água e Luz (11,26%), Outros (9,07%) e Comércio (8,95%).

Segundo a CDL Petrópolis, esse cenário tende a deixar o crédito mais caro e mais restrito, dificultando tanto a renegociação quanto o acesso a novos financiamentos. "Quando o risco aumenta, o crédito encarece e fica mais seletivo. Isso trava o consumo, especialmente de bens de maior valor, e afeta diretamente o varejo. Precisamos de medidas que incentivem o uso consciente do crédito e evitem que o superendividamento se transforme em uma barreira estrutural ao crescimento econômico de Petrópolis e do país", conclui Claudio Mohammad.