Por Gabriel Rattes
O Programa Linha Verde, canal do Disque Denúncia do Rio de Janeiro voltado a crimes ambientais, recebeu 1.567 denúncias em 2025 apenas nos municípios de Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo, que fazem parte da área de cobertura do Correio Petropolitano. O levantamento revela que Petrópolis concentra 850 registros, mais da metade do total analisado na matéria.
As denúncias envolvem crimes contra a fauna e a flora, construções e ocupações irregulares, poluição e danos a áreas de preservação permanente e unidades de conservação. Criado em 2013 pelo Instituto MovRio, o Linha Verde funciona pelo telefone 0300 253 1177, com garantia de anonimato ao denunciante.
Segundo o programa, os crimes ambientais são motivados principalmente pela certeza da impunidade, pela falta de informação da população e pela ausência de controle social, fatores que ajudam a explicar a recorrência das infrações.
Petrópolis
Com 850 denúncias em 2025, Petrópolis apresenta o cenário ambiental mais preocupante entre os municípios analisados, tanto pelo alto volume quanto pela diversidade de infrações registradas.
Os maus-tratos contra animais lideram com 280 denúncias, o que corresponde a cerca de 33% de todos os registros do município. Na sequência aparecem crimes diretamente ligados à degradação ambiental e à ocupação irregular do território:
Extração irregular de árvores: 131 denúncias
Desmatamento florestal: 101
Poluição do ar: 101
Construção irregular: 78
Guarda ou comércio ilegal de animais silvestres: 78
A distribuição territorial das denúncias aponta maior concentração em Itaipava (105), Posse (61), Araras (54) e Corrêas (50) — bairros que combinam áreas verdes extensas, zonas rurais e crescimento imobiliário.
Ao longo do ano, o número de denúncias se manteve elevado, com picos entre os meses de julho e outubro.
Teresópolis
Em Teresópolis, o Linha Verde registrou 373 denúncias ambientais em 2025. O município apresenta um perfil marcado principalmente por crimes contra a flora. O desmatamento florestal lidera o ranking, com 84 denúncias, seguido por:
Maus-tratos contra animais: 78
Extração irregular de árvores: 66
Poluição do ar: 53
Construção irregular: 43
Também aparecem com frequência denúncias relacionadas à extração irregular de solo, queimadas e guarda ilegal de animais silvestres. Os bairros mais citados são Albuquerque (24), Meudon (18) e Bom Retiro (16).
Nova Friburgo
Já Nova Friburgo contabilizou 344 denúncias ambientais em 2025. Diferentemente de Petrópolis, o município apresenta um perfil mais concentrado em crimes ligados à exploração irregular da flora.
A extração irregular de árvores aparece como a infração mais denunciada, com 78 registros, seguida por:
Desmatamento florestal: 70
Maus-tratos contra animais: 61
Guarda ou comércio ilegal de animais silvestres: 45
Queimadas: 40
Os bairros e distritos de Lumiar (34), Cônego (24) e Centro (21) concentram o maior número de denúncias.
Comparação
A análise conjunta dos dados revela cenários distintos:
Petrópolis concentra o maior número absoluto e a maior variedade de crimes ambientais
Teresópolis tem forte incidência de desmatamento e ocupação irregular
Nova Friburgo apresenta predominância de extração ilegal de árvores
Em comum, os três municípios têm os maus-tratos contra animais entre os crimes mais denunciados.
Como denunciar
O Programa Linha Verde integra as ações do Disque Denúncia do Rio de Janeiro e recebe informações de forma anônima, 24 horas por dia. Denúncias podem ser encaminhadas através do telefone (21) 2253-1177 e 0300 253 1177,- ambos com WhatsApp anonimizado - técnica de processamento de dados que remove ou modifica informações que possam identificar uma pessoa, ou então pelo App "Disque Denúncia RJ". É possível denunciar ainda pelo site do Disque Denúncia (www.disquedenuncia.org.br) ou ainda pela FanPage do Linha Verde no facebook (www.facebook.com/linhaverdedd).
As denúncias são encaminhadas aos órgãos competentes, como Polícia Ambiental, Inea, Ibama e prefeituras. Segundo representantes do programa, a participação da população é considerada fundamental para reduzir a sensação de impunidade e fortalecer a fiscalização ambiental na Região Serrana.