Por Gabriel Rattes
Um abaixo-assinado, criado por Luciana Lourenço, já reúne 1.038 assinaturas verificadas e reacendeu o debate sobre a falta de segurança na RJ-130, rodovia que liga Teresópolis a Nova Friburgo, conhecida como Tere-Fri. A estrada é utilizada diariamente por moradores, trabalhadores e motoristas da Região Serrana, mas acumula, ao longo dos anos, um histórico de acidentes, muitos deles fatais.
No texto da petição, os usuários da via relatam que a situação é agravada pela baixa fiscalização de trânsito e pela pouca presença policial, o que favorece infrações como excesso de velocidade e ultrapassagens perigosas. Segundo o documento, essas falhas colocam em risco não apenas quem dirige, mas também passageiros e famílias que dependem da rodovia.
Acidente fatal
A mobilização ganhou ainda mais força após um grave acidente registrado na manhã de segunda-feira (8), em dezembro, na altura do km 9 da RJ-130, em Teresópolis. A colisão frontal entre dois veículos resultou na morte de três pessoas, entre elas uma criança de três anos de idade.
Segundo as informações apuradas, a mãe da criança e o motorista do outro carro também morreram no local. O pai da menina, que estava no mesmo veículo, e uma segunda pessoa foram socorridos em estado gravíssimo e encaminhados para o hospital.
O acidente ocorreu por volta das 7h e mobilizou equipes do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar durante toda a manhã.
O abaixo-assinado
O abaixo-assinado cita dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), que apontam que até 93% dos acidentes de trânsito podem ser evitados com fiscalização eficiente e aplicação rigorosa das leis. Para os organizadores, a ausência desse controle na RJ-130 permite que motoristas imprudentes continuem circulando sem punição.
Entre as principais reivindicações estão:
- instalação de radares de velocidade;
- aumento da presença policial ao longo da rodovia;
- realização de campanhas educativas para motoristas;
- melhoria da sinalização viária;
- manutenção preventiva da estrada.
A petição é direcionada ao Departamento de Estradas de Rodagem (DER-RJ), à Prefeitura de Teresópolis, à Secretaria de Estado de Transportes e ao Batalhão de Polícia Rodoviária, cobrando providências imediatas para reduzir acidentes e preservar vidas.
Relatos
Os comentários deixados por participantes do abaixo-assinado ilustram a realidade enfrentada por quem convive diariamente com o tráfego intenso. Luara, moradora do Rio de Janeiro, relata a dificuldade de travessia em trechos urbanos da rodovia.
“É muito difícil conseguir atravessar a rua na RJ-130 Teresópolis–Friburgo. Os carros não dão passagem, sem falar na alta velocidade que passam em frente ao condomínio, tornando o trecho perigoso”, disse.
Já Débora, de Teresópolis, destaca a ausência de controle de velocidade e o aumento do risco de acidentes. “Precisamos de redutores de velocidade em toda a rodovia onde há ruas de acesso aos bairros. Foram desativados os radares e o risco de acidentes está aumentado, inclusive acidentes fatais”, comentou.
Ministério Público
O movimento popular ocorre poucos dias após a divulgação de uma manifestação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) sobre a mesma rodovia. No dia 13 de dezembro, o jornal Correio Petropolitano noticiou que a 2ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva do Núcleo Nova Friburgo se pronunciou em uma ação civil pública ajuizada em 2016, que cobra medidas para reduzir riscos na RJ-130.
No processo, o MPRJ pede que o Estado do Rio de Janeiro e o DER cumpram decisões judiciais já definitivas, que determinam intervenções de engenharia, geotecnia e urbanismo para conter riscos, especialmente os geológicos, como instabilidade de taludes e encostas.
Além das obras estruturais, o Ministério Público solicitou a apresentação de um plano de segurança viária, com foco em drenagem, estabilização, iluminação e recuperação do asfalto nos chamados pontos críticos da rodovia.
Posição do DER
Procurado à época, o DER-RJ informou que prepara uma nova licitação para contratar a empresa que concluirá as obras de pavimentação e drenagem nos oito quilômetros restantes da estrada. Segundo o órgão, o contrato anterior foi rescindido após abandono da obra pela construtora, que responde a processo administrativo.
Ainda de acordo com o DER, dos 68 quilômetros da RJ-130, 60 já receberam novo asfalto e melhorias na drenagem.
Questionado sobre o abaixo-assinado, não recebemos resposta até o fechamento desta edição.
Mobilização popular
Para os organizadores do abaixo-assinado, a mobilização da sociedade é essencial para pressionar o poder público. “A união dos usuários da rodovia é fundamental para proteger vidas e garantir segurança. Nos unimos com o objetivo de proteger vidas e promover a segurança em nossa comunidade. Pedimos que você se junte a nós nesta causa vital”, destaca o texto da petição.