Rio de Janeiro

UFF denuncia à PF ameaças de ataque após ato pró-Lula de estudantes: 'Vamos tacar fogo'

A segurança foi reforçada em todos os campi pela instituição

UFF denuncia à PF ameaças de ataque após ato pró-Lula de estudantes: 'Vamos tacar fogo'
Campus da UFF em Gragoatá, Niterói Crédito: Reprodução Google Street View

A Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, encaminhou à Polícia Federal (PF) denúncias de ameaças feitas contra a instituição e alunos. Os ataque ocorreram através de aplicativos de mensagens. Uma delas falava em incendiar o campus de Gragoatá. 'Vamos tacar fogo na UFF'. Caso acontece dias após incêndio na UFPE, que ocorreu após ameaças e é investigado pela PF.

As ameaças ocorreram depois que estudantes da universidade foram às ruas em apoio a Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que disputa o segundo turno pela presidência com Flávio Bolsonaro (PL).

Segundo a UFF, todo o material recebido pelos canais institucionais foram encaminhados à PF para apuração. A segurança também foi reforçada em todos os campi. A denúncia também foi encaminhada à prefeitura de Niterói, a PM e a Polícia Civil.

Em outros trechos de mensagens, falam de um plano para atacar os apoiadores do petista com agressões, uso de soco inglês, canivetes. Eles também planejam levar tinta 'verde e amarela' e ovos. Havia também a postagem de uma lista, intitulada com 'incendiar a UFF de madrugada'. 

"Seguimos atentos à situação, pautando nossa atuação pela agilidade e responsabilidade, para garantir a segurança de toda a comunidade universitária, a preservação da vida e a proteção do patrimônio público", disse a instituição em nota.

Ameaça e incêndio na UFPE

A Polícia Federal (PF) abriu um inquérito para investigar se houve ação criminosa no incêndio que atingiu o prédio da Diretoria de Inovação e Empreendedorismo (Dine) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) na última quarta-feira (7). Foi o terceiro registrado na instituição em uma semana.

O caso de quarta-feira aconteceu um dia depois de um ato realizado por alunos da instituição em favor da reeleição de Lula (PT). De acordo com o reitor da UFPE, Alfredo Gomes, o fogo destruiu pesquisas de 20 anos e equipamentos, causando um prejuízo calculado em R$ 100 milhões. Amostras de estudos sobre a Covid-19, o autismo, o câncer e o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) foram perdidas.

"Tínhamos muitos equipamentos dentro do prédio, sobretudo no primeiro andar, e absolutamente tudo foi destruído pelo incêndio. Cremos que nós tínhamos ali aproximadamente 100 tipos diferentes de pesquisas. Assim como amostras que se acumulam ao longo de 20 anos. Então é uma perda irreparável para a Universidade Federal de Pernambuco e para as pesquisas ali desenvolvidas, por mestrandos, doutorandos, na iniciação científica e também pelos nossos professores e professoras", disse o reitor, em entrevista à TV Globo.

Horas antes do incêndio, estudantes da universidade relataram que receberam ameaças que teriam partido de bolsonaristas. O teor da suposta mensagem foi compartilhado por Jones Manoel, deputado federal eleito por Pernambuco.

"Alunos receberam mensagens com ameaças explícitas contra setores da UFPE, inclusive falando em 'explodir o departamento' em nome de Flávio Bolsonaro. A sequência dos fatos é gravíssima e precisa ser esclarecida com urgência", disse Jones, que afirmou que irá pedir solicitar à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal "uma investigação imediata sobre o caso, diante da possibilidade de o incêndio ter origem criminosa".