Incêndio na UFPE

Incêndio na UFPE ameaça 200 pesquisas; MEC anuncia R$ 28 milhões

Fogo destruiu centro de pesquisas no Recife, causou prejuízo estimado em R$ 100 milhões e levou o Ministério da Educação a anunciar a construção de um novo prédio e a prorrogação de bolsas acadêmicas

Incêndio na UFPE ameaça 200 pesquisas; MEC anuncia R$ 28 milhões
Incêndio destruiu prédio da UFPE, no Recife. Horas antes, estudantes teriam recebido ameaças Crédito: Reprodução/Redes Sociais

Cerca de 200 dissertações e teses de pós-graduação foram afetadas pelo incêndio que destruiu um centro de pesquisas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), no Recife. Para evitar a interrupção dos trabalhos científicos, o Ministério da Educação (MEC) anunciou a prorrogação de bolsas de mestrado, doutorado e pós-doutorado, além da construção de uma nova estrutura de pesquisa, orçada em R$ 28 milhões.

O ministro da Educação, Leonardo Barchini, anunciou as medidas na quinta-feira (8), durante visita ao prédio atingido pelas chamas. O incêndio começou na noite de quarta-feira (7) e foi controlado apenas na madrugada seguinte. A estimativa inicial é de que os danos cheguem a R$ 100 milhões, com a destruição de equipamentos e a perda de resultados acumulados ao longo de duas décadas de pesquisas.

Após acompanhar uma vistoria técnica no local, Barchini informou que o governo federal também destinará recursos para a reposição dos equipamentos científicos destruídos. A universidade ainda articulou parcerias com instituições brasileiras e estrangeiras para permitir que os pesquisadores retomem suas atividades e concluam os estudos.

Pesquisadores poderão continuar estudos no exterior

Entre as iniciativas anunciadas está a abertura de uma chamada especial para o Programa de Doutorado-Sanduíche no Exterior (PDSE), que permitirá a estudantes em fase final de doutorado desenvolver parte de suas pesquisas em laboratórios de outros países.

Segundo o ministro, instituições da Alemanha, dos Estados Unidos e da França já se comprometeram a colaborar com a UFPE. A medida também deverá contemplar pesquisadores de mestrado e professores vinculados a programas de pós-doutorado.

O objetivo é impedir que os trabalhos interrompidos pelo incêndio comprometam a formação acadêmica dos estudantes e os resultados científicos obtidos até agora.

O reitor da UFPE, Alfredo Gomes, afirmou que a continuidade das pesquisas é uma das principais preocupações da administração universitária. Além de buscar alternativas para os trabalhos prejudicados, a instituição disponibilizará serviços de Psicologia e de outras áreas para oferecer suporte aos estudantes e profissionais afetados.

Gomes também informou que os materiais de pesquisa armazenados no prédio foram consumidos pelo fogo e que, segundo a avaliação apresentada pela universidade, não há risco de contaminação.

Polícia Federal investiga causas do incêndio

O incêndio no centro de pesquisas da UFPE é o terceiro registrado na universidade em uma semana. A Polícia Federal (PF) investiga o caso para determinar a origem das chamas e verificar se houve a prática de algum crime.

A perícia contará com o reforço de especialistas do Instituto Nacional de Criminalística, em Brasília. De acordo com Rodrigo Bastos, delegado regional executivo da PF, os profissionais trabalharão em conjunto com a equipe que atua em Pernambuco para acelerar a análise técnica e esclarecer as circunstâncias do ocorrido.

A investigação deverá identificar como o fogo começou e quais fatores contribuíram para a destruição do edifício.

UFPE registrou outros dois incêndios em laboratórios

Antes do incêndio no centro de pesquisas, a universidade havia registrado outras duas ocorrências. A primeira aconteceu em 30 de setembro, quando chamas atingiram um laboratório do Departamento de Física. Não houve feridos. Conforme a UFPE, o fogo teria começado durante um experimento realizado em uma câmara de alta temperatura utilizada para aquecer substâncias.

O segundo caso foi registrado no domingo (4), no laboratório de Citogenética e Evolução Vegetal, localizado no Centro de Biociências. Também não houve vítimas. Segundo o reitor, a causa foi um curto-circuito no sistema de ar-condicionado, que provocou a perda de um freezer capaz de operar a -80 °C, equipamento importante para a conservação de materiais científicos.

De acordo com Alfredo Gomes, a universidade já esclareceu internamente as causas dos dois primeiros incêndios. No caso mais recente, porém, a instituição acionou a Polícia Federal para conduzir a investigação.

A sequência de ocorrências aumenta a preocupação com a infraestrutura dos laboratórios e com a preservação das pesquisas desenvolvidas na universidade. Enquanto a perícia busca esclarecer o que provocou o incêndio mais recente, a UFPE e o MEC trabalham para recuperar a capacidade de pesquisa e reduzir os impactos sobre a formação de novos cientistas.