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Velódromo da Barra sofre terceiro incêndio desde 2017

Por Déborah Gama

Na madrugada desta quarta-feira (8), um incêndio destruiu parte do teto do Velódromo do Parque Olímpico do Rio de Janeiro, na Barra da Tijuca. O Corpo de Bombeiros foi acionado pouco depois das 4h pela brigada de incêndio do próprio equipamento e foram capazes de conter as chamas. Por volta das 11h, o fogo retornou, mas foi controlado rapidamente pelos militares. Não houve feridos, nem impactos ao acervo do Rio Museu Olímpico ou à pista do Velódromo. A causa do incêndio ainda não foi divulgada.

Segundo os bombeiros, cerca de 60 militares, de dez quartéis, atuaram na ocorrência, com o apoio de mais de 20 viaturas e equipes especializadas, para evitar que as chamas se alastrassem para outras áreas do complexo.

"Quando chegamos o fogo já estava em grande proporção. Usamos viaturas aéreas e estabelecemos prontamente as plataformas para atuar de maneira eficaz. Atuamos inclusive na parte interna da estrutura. A prioridade foi evitar que o incêndio se alastrasse para outras áreas do complexo, sendo possível preservar o museu e o interior da edificação", afirmou o coronel Tarciso Salles, Secretário de Estado de Defesa Civil e o Comando-Geral do Corpo de Bombeiros Militar.

Ao acompanhar o trabalho de combate ao incêndio e a vistoria técnica ao Velódromo, o prefeito Eduardo Cavaliere aponta que apenas uma pequena área do Rio Museu Olímpico foi afetada e será reformada, mas o acervo está completamente preservado, assim como a estrutura e pista do Velódromo. Além disso, o representante destacou que os equipamentos do museu têm seguro.

Cavaliere também ressaltou a importância do sistema anti-incêndio do museu. "O equipamento tem todos os sistemas de incêndio, 100% das aprovações do Corpo de Bombeiros. A brigada de incêndio do Rio Museu Olímpico e do Velódromo foi fundamental, junto com o time dos bombeiros, para minimizar os impactos desse incêndio", finalizou o representante.

O local estava sendo utilizado pela Confederação Brasileira de Esgrima para treinamento e competição das equipes que estão participando do campeonato mundial júnior e cadete da modalidade, que acontece na Arena 1 do Parque Olímpico.

Funcionamento do Velódromo e Museu Olímpico

No andar superior do Velódromo Olímpico, funciona o Rio Museu Olímpico, instalado em uma área de aproximadamente 1.700 metros quadrados. O espaço reúne um acervo de cerca de 1 mil peças, distribuídas em 13 áreas temáticas, com aproximadamente 80 experiências interativas e atividades. Desde a inauguração, o museu já recebeu cerca de 20 mil visitantes.

Já o Velódromo Olímpico é um equipamento ativo, com funcionamento contínuo e oferta regular de atividades esportivas e culturais gratuitas, além de receber mensalmente cerca de 2 mil pessoas. Ao todo, o espaço atende aproximadamente 4.280 pessoas, a partir dos seis anos de idade, distribuídas em 33 modalidades esportivas e de lazer, como vôlei, basquete, ginástica, ciclismo, jiu-jitsu, judô, beach tennis e handebol.

O Velódromo também mantém convênios com entidades esportivas de alto rendimento, como as confederações brasileiras de ciclismo, esgrima e levantamento de peso, além da federação de ginástica do Estado do Rio de Janeiro, permitindo que atletas das seleções utilizem o espaço para treinamentos.

Velódromo já foi alvo de outros dois incêndios

O incêndio da madrugada desta quarta-feira (8) não foi o primeiro a atingir o Velódromo do Parque Olímpico do Rio. Em 2017, apenas um ano após os Jogos Olímpicos, a estrutura foi danificada duas vezes por chamas causadas pela queda de balões.

O primeiro episódio aconteceu em 30 de julho e, assim como no incêndio desta madrugada, atingiu uma área considerável do teto da arena esportiva. Quase quatro meses depois, em novembro daquele ano, outro incêndio atingiu a estrutura e, segundo as autoridades, também foi causado pela queda de um balão. Em ambos os casos, não houve feridos.

Já em 2018, outro episódio danificou o teto do Velódromo, mas ao invés das chamas, um temporal foi o responsável por causar estragos à cobertura da arena. Devido às fortes chuvas, houve alagamento no local e a pista precisou passar por reparos.

De que é feito o "teto" do Velódromo?

Com telhas metálicas e cobertura tipo TPO (Poliolefina Termoplástica) impermeabilizante, o "teto" do Velódromo é um produto de alta tecnologia, com uma parte feita de lã, uma seção mais espessa e outra externa, que faz o isolamento da temperatura. A construção é ideal para coberturas de grande porte e lajes, oferecendo durabilidade, alta resistência a raios UV, flexibilidade e vedação por solda térmica.

De acordo com o Corpo de Bombeiros, o fogo atingiu principalmente o forro e parte da cobertura, feitos de material sintético, que ao ser incendiado, naturalmente se soltava da estrutura e caia em cima do pavimento, acentuando ainda mais o incêndio. A estrutura interna do velódromo não foi comprometida, e os bombeiros conseguiram preservar áreas sensíveis do prédio.