O estado do Rio de Janeiro vive capítulos dramáticos de sua história política. Na próxima quarta-feira (8), o Supremo Tribunal Federal (STF) dará o veredito final sobre o rito que definirá o novo ocupante do Palácio Guanabara. O julgamento ocorre em um cenário de vácuo institucional sem precedentes: com a renúncia e posterior cassação de Cláudio Castro, a ausência de um vice-governador desde 2025 e a prisão do ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, o comando do estado está, interinamente, nas mãos do desembargador Ricardo Couto.
A Corte máxima do país analisará duas ações que podem mudar os rumos do Rio. O ponto central é a natureza do pleito: o estado terá eleições diretas, com a convocação de milhões de eleitores às urnas, ou uma eleição indireta, restrita ao voto dos deputados estaduais?
O placar da Corte e o voto de Minerva
Nos bastidores de Brasília, o clima aponta para uma tendência favorável à soberania popular. Os ministros Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin já sinalizaram, em manifestações anteriores, apoio à realização de eleições diretas como forma de garantir maior legitimidade ao mandato-tampão.
No entanto, o desfecho é incerto. Com a composição incompleta do tribunal, o risco de um empate em cinco a cinco é real. Caso isso ocorra, o peso da decisão recairá sobre o presidente da Corte, Edson Fachin, responsável pelo voto de Minerva.
Além do modelo de votação, o STF terá que pacificar regras procedimentais da eleição indireta, caso este seja o modelo vencedor no julgamento de 8 de abril, com temas como os prazos de desincompatibilização para os candidatos e se a votação dentro da Assembleia deverá ser aberta ou secreta.
Alerj em compasso
de espera
Enquanto o Supremo não se manifesta, a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) permanece paralisada. Em reunião de líderes, os deputados decidiram suspender a eleição para a nova presidência da Casa, hoje sob incerteza após a anulação do trâmite que alçou Douglas Ruas (PL) ao cargo.
Paralelamente, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro publicou nesta segunda-feira (6) a ata sobre a cassação e a retotalização dos votos de Rodrigo Bacellar. A partir da publicação no Diário da Justiça Eletrônico, passa a contar um prazo de cinco dias para a oficialização. Só depois disso será possível avançar formalmente para uma nova eleição na Alerj, já sob o cenário definido pelo STF.