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Especialista alerta sobre atrasos de diagnóstico

A frase "cada criança tem seu tempo" é comum entre pais e cuidadores, mas pode ser um obstáculo perigoso para o desenvolvimento neurológico infantil. A neuropsicóloga Bárbara Calmeto, diretora do Autonomia Instituto, alerta que a espera excessiva atrasa diagnósticos cruciais e impede o início de terapias fundamentais.

Segundo a especialista, o cérebro nos primeiros anos possui alta plasticidade, tornando essa janela temporal decisiva para o aprendizado e a adaptação social.

Estudos recentes reforçam a importância da detecção precoce. Pesquisas da Drexel University (2024) e University of Missouri (2025) indicam que triagens padronizadas permitem identificar sinais de autismo já aos 20 meses, ou até aos nove meses de vida. No entanto, dados da Autism Research revelam que apenas 15% das crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) iniciam o tratamento antes dos dois anos.

Pais devem estar atentos a sinais como a falta de reação a sons, ausência de contato visual, expressões faciais limitadas e preferência por brincar isoladamente. Movimentos repetitivos e ausência de balbucios também justificam uma avaliação especializada.

A terapia ABA (Análise do Comportamento Aplicada) surge como uma das mais eficazes quando iniciada cedo, ajudando a ampliar a comunicação e a autonomia.

"Muitos esperam que o tempo resolva, mas isso significa perder o período mais importante para o desenvolvimento", pontua Calmeto.