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Carnaval deve movimentar R$ 5,9 bi e reunir 8 milhões de foliões

2.227 mulheres foram vítimas de importunação sexual em 2023 | Foto: Fernanda Sabença

Por Paula Vieira

O Carnaval 2026 deve movimentar cerca de R$ 5,9 bilhões na economia do Rio, segundo estimativa da Prefeitura. A cifra confirma o peso da festa que, além de símbolo cultural, é um dos maiores motores econômicos da cidade e vitrine internacional do país. A projeção considera um público de aproximadamente 8 milhões de pessoas nos desfiles das escolas de samba no Sambódromo e na Intendente Magalhães, nos blocos de rua, bailes populares e eventos tradicionais, entre 17 de janeiro e 22 de fevereiro, domingo após o Sábado das Campeãs.

Os dados fazem parte da quinta edição do estudo Carnaval de Dados, elaborado pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico (SMDE), pela Casa Civil, por meio do Instituto Fundação João Goulart (FJG), e pela Riotur. O levantamento reúne gastos de moradores e turistas com hospedagem, transporte, alimentação, produção de eventos e uma ampla rede de serviços ligados direta ou indiretamente à folia, da indústria criativa ao comércio de bairro.

"O Carnaval do Rio prova todo ano por que é o maior espetáculo da Terra. (...) É uma festa que põe dinheiro circulando, movimenta o comércio, o turismo, os serviços. Toda a economia da cidade ganha", afirmou o prefeito Eduardo Paes (PSD).

O impacto financeiro também aparece na arrecadação municipal. O retorno econômico em ISS de serviços relacionados ao Carnaval gira em torno de R$ 240 milhões. Apenas os setores de turismo e eventos respondem por mais de R$ 47 milhões dessa receita no mês da festa, reforçando a força da cadeia turística, que inclui hotéis, bares, restaurantes, transporte e entretenimento.

Para colocar o espetáculo na rua, a Prefeitura investe cerca de R$ 100 milhões por ano, incluindo incentivos culturais às escolas de samba do Grupo Especial, Série Ouro, Escolas Mirins e desfiles da Intendente Magalhães, além da operação e manutenção do Sambódromo. Entre 2022 e 2026, os incentivos ao Grupo Especial somaram R$ 137,3 milhões, em valores deflacionados pelo IPCA de dezembro de 2025.

23 órgãos municipais e cerca de 32 mil servidores atuam no Carnaval. Desse total, 13,1 mil são da Comlurb e 12,5 mil da Guarda Municipal, responsáveis por limpeza, ordenamento urbano, segurança e apoio logístico.

O Carnaval de Rua mantém protagonismo. Em 2026, estão previstos 458 blocos, somando 1.786 horas de apresentações e público estimado em quase 7 milhões de foliões. Do total de desfiles, 40,2% ocorreram no pré-Carnaval, 51,5% serão na semana oficial e 8,3% no pós-Carnaval. Cerca de 80% dos blocos que desfilaram no ano passado retornam às ruas.

No Centro, os 11 megablocos concentram 53% do público estimado, com média de 180 mil pessoas por desfile. Já os 419 blocos tradicionais reúnem cerca de 46% dos foliões, com média de 4 mil participantes. Aproximadamente 37% dos blocos cadastrados têm público inferior a 500 pessoas. No total, 81% do público participa de blocos com deslocamento.

No último dia 7, 59 blocos foram às ruas. Já neste sábado (14), são esperados 57 blocos, enquanto 55 saem no domingo e 55 na terça-feira (17). Sábado e terça concentram os maiores públicos, com expectativa próxima de 1 milhão de foliões por dia.

Quanto aos horários, 17,2% dos blocos desfilam pela manhã, 44,3% à tarde e 38,4% à noite. O maior número de concentrações ocorre às 17h, seguido por 18h e 15h. Ainda assim, é pela manhã que acontece a maior concentração de público, especialmente no Centro, impulsionada por megablocos que começam entre 8h e 9h.

Em 2026, 33 blocos estreiam em 21 bairros, com público estimado em cerca de 70 mil foliões, sendo 15 no pré-Carnaval, 15 durante o Carnaval e três no pós. O Cordão da Bola Preta, fundado em 1919, segue como o mais antigo e maior da cidade, seguido pela tradição da Banda de Ipanema (1965), Banda da Glória (1979), Bloco do Cachorro Cansado (1981) e Carmelitas (1990), símbolos de um Carnaval que une história e fomenta ainda mais a cultura.