Por Redação
A soma de altas temperaturas e período de chuvas levou o Rio de Janeiro a ampliar ações de controle das arboviroses. A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) anunciou um cronograma robusto de vistorias e ações de combate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya. Até sexta-feira (23), as equipes de vigilância ambiental percorrerão 19 bairros da capital, para eliminar focos e conscientizar os moradores.
A iniciativa faz parte da "SVS na Rua", que visa fortalecer a presença dos agentes de saúde justamente nos meses de maior incidência das doenças. Os técnicos visitam imóveis residenciais e comerciais, verificam calhas, caixas d'água, pratos de plantas e recipientes que possam abrigar larvas do inseto.
Grande mobilização
As operações começaram na segunda (19), em Realengo, na Zona Oeste. Nesta quarta (21), o mutirão atendeu Jacarepaguá, Praça Seca, Curicica e Anil. A quinta-feira (22) será o dia de maior mobilização, com equipes espalhadas por Paquetá, Copacabana, Tijuca, Jardim Guanabara, Méier, Vila da Penha, Madureira, Campinho, Engenheiro Leal, Anchieta, Ricardo de Albuquerque, Acari, Pavuna, Campo Grande e Santa Cruz. Na sexta (23), os agentes retornam a Realengo para reforçar o monitoramento.
Apenas nos primeiros dez dias de 2026, a Prefeitura contabilizou 201.016 imóveis vistoriados. Nessas visitas, mais de 30 mil criadouros potenciais foram eliminados ou tratados. O balanço do ano de 2025 registrou 12.297.072 visitas domiciliares, resultando na neutralização de cerca de 1,6 milhão de recipientes perigosos.
Cuidados com crianças
O cuidado individual e a vigilância são fundamentais, especialmente com as crianças. Em entrevista publicada pela Agência Fiocruz, o infectologista pediátrico Márcio Nehab, do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), deu orientações para pais e responsáveis neste período de férias e ondas de calor.
De acordo com o infectologista, o erro mais comum no início dos sintomas é confundir a dengue com uma gripe comum. Nehab esclarece que, na fase inicial, a dengue não costuma apresentar sintomas respiratórios marcantes, como coriza ou tosse forte. "O quadro costuma ser dominado por febre alta de início abrupto, mal-estar intenso e dor no corpo". Ignorar a diferença pode atrasar o diagnóstico correto e o início da hidratação adequada, que é o pilar do tratamento.
Os principais sinais de alerta
O infectologista da Fiocruz ainda lisou os sintomas que exigem ida imediata ao hospital: dores abdominais intensas e persistentes, vômitos frequentes, inchaço no corpo, sangramentos (mesmo que leves) no nariz ou gengiva, e o surgimento de manchas vermelhas na pele. Mudanças no comportamento da criança, como irritabilidade excessiva ou letargia (ficar muito parada ou prostrada), são alertas de que a doença pode estar evoluindo para formas mais severas.
Importância da vacina contra a dengue
Além da limpeza dos quintais, a vacinação é uma ferramenta de proteção coletiva. Márcio Nehab reforça que a vacina contra a dengue, disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), é eficaz para reduzir internações e casos graves. Um ponto crítico mencionado pelo especialista é a necessidade de completar o esquema vacinal. Muitas famílias não levam as crianças para a segunda dose, o que compromete a imunidade esperada.
No Rio, a população pode colaborar ativamente com a Secretaria Municipal de Saúde denunciando focos de mosquitos ou solicitando vistorias através da Central 1746.