Por: Da Redação

Presidente da Alerj, Delaroli exonera 200 servidores

Guilherme Delaroli assumiu a presidência da Alerj em 2025 | Foto: Cristiano Masruha

O presidente em exercício da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Guilherme Delaroli (PL), determinou a exoneração de 200 servidores ocupantes de cargos em comissão através de uma edição extraordinária do Diário Oficial publicada na noite desta terça (6).

A medida administrativa mostra uma reestruturação nos quadros do Parlamento fluminense, iniciada após o afastamento do presidente titular, Rodrigo Bacellar (União). As demissões abrangem diferentes níveis da hierarquia e atingem as indicações políticas de grupos que exerciam influência na estrutura administrativa da Casa há décadas.

Exonerações impactam diferentes setores

A lista de dispensas contempla nomes vinculados ao ex-governador Sérgio Cabral e ao ex-presidente da Alerj, Paulo Melo. Entre os exonerados estão Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador, e Suzana Neves Cabral, sua ex-mulher.

A reorganização alcançou também subdiretores de áreas estratégicas, como Rafael Diniz, ex-prefeito de Campos dos Goytacazes, que chefiava a Informática, e Filipe Albernaz Mothé, ex-procurador da Câmara de Campos, que ocupava a subdiretoria de Assuntos Legislativos. A mudança atingiu ainda as chefias dos departamentos de Cerimonial, Comunicação Social, Controle Interno, Engenharia e Material da Assembleia Legislativa.

Reformulação da gestão administrativa

O deputado Guilherme Delaroli vem buscando desvincular a gestão administrativa dos acordos de grupos que historicamente comandavam o Poder Legislativo. Os novos cortes sucedem a demissão do núcleo de confiança de Rodrigo Bacellar, ocorrida em dezembro.

Na ocasião, foram afastados o diretor-geral, Marcos Brito; o chefe de gabinete, Rui Bulhões; e o procurador-geral da Alerj, Robson Maciel. As trocas ocorrem no rastro da Operação Unha e Carne, da Polícia Federal, que investiga o vazamento de informações sigilosas da Operação Zargun para o grupo de Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Joias.

Por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), Rodrigo Bacellar foi afastado do cargo e submetido a medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica e recolhimento domiciliar noturno.

A investigação aponta que o deputado teria recebido dados sensíveis de investigações em curso. A ação policial também resultou na prisão do desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), suspeito de repassar informações privilegiadas. Enquanto os processos tramitam na Justiça, a Alerj segue o cronograma de substituição de quadros técnicos para 2026.