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Ex-ministro do Peru é preso na Zona Sul

Por Redação

Manuel Augusto Blacker Miller, de 80 anos, ex-ministro das Relações Exteriores do Peru, foi preso pela Polícia Federal na última quinta-feira (11) em uma ação de cooperação internacional no Flamengo, área nobre do Rio de Janeiro. Miller, que ocupou o cargo de chanceler em 1991 durante o governo de Alberto Fujimori, estava foragido da Justiça desde 2018 e era procurado pela Interpol por suspeita de envolvimento em grave fraude financeira na Albânia.

A operação foi coordenada pelo Núcleo de Cooperação Internacional da PF no Rio (NCI/Interpol), contando com o apoio tático de agentes especializados do Setor de Capturas Internacionais de Brasília. A prisão foi realizada em cumprimento a um mandado preventivo expedido pelo Supremo Tribunal Federal com a finalidade de extradição.

O político peruano será conduzido ao sistema prisional do estado, onde permanecerá sob custódia até que o processo de sua extradição definitiva para a Albânia seja concluído, conforme determinação judicial.

A trajetória judicial de Blacker Miller inclui condenações em diferentes países. Sua ficha penal remonta ao Peru, onde, em 2007, a Câmara Criminal Especial da Suprema Corte peruana o condenou, juntamente com outros nove ex-ministros do governo Fujimori, a penas que variaram entre quatro e dez anos de reclusão por irregularidades no exercício do poder.

Contudo, a principal motivação para a mobilização internacional e a atual prisão é a condenação imposta pela Justiça da Albânia em 2017. Na ocasião, Miller foi sentenciado a oito anos de prisão por envolvimento em um esquema de fraude. As investigações apuraram que ele prometeu investimentos substanciais, que não se materializaram, em um projeto de construção de um incinerador destinado à queima de resíduos e geração de energia em uma cidade albanesa. A quebra de compromisso e as fraudes associadas ao projeto o colocaram na lista de Difusão Vermelha da Interpol.

Após deixar o Peru em 2002, Miller se mudou para Miami (EUA). Em 2009, chegou a ser detido na Flórida por agentes do Departamento de Imigração e Alfândega, mas foi liberado.

Em seguida, ele se deslocou para a Albânia, onde foi detido pela Interpol em 2013, mas saiu em liberdade no dia seguinte. Há informações de que, em determinado momento, ele teria obtido cidadania albanesa, o que pode ter sido um fator complicador em processos de extradição anteriores. Desde 2018, seu paradeiro era completamente desconhecido pelas autoridades, sendo considerado foragido até sua localização e captura no Rio de Janeiro pela Polícia Federal.