O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou a participação em uma série de compromissos internacionais até o fim de 2026. Entre eles está a cúpula do G20, marcada para os dias 14 e 15 de dezembro, na Flórida, nos Estados Unidos, sob a presidência de Donald Trump.
A presença de Lula nos eventos ainda dependia de confirmação após o segundo turno das eleições brasileiras. Na semana passada, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, esteve com o presidente no Palácio da Alvorada para discutir a agenda e obter autorização para as viagens.
A programação internacional inclui quatro compromissos principais: a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP31), em Antália, na Turquia, nos dias 11 e 12 de novembro; a reunião da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), em Manila, nas Filipinas, em 14 e 15 de novembro; a cúpula do Mercosul, em Montevidéu, no Uruguai, nos dias 4 e 5 de dezembro; e o encontro do G20, nos Estados Unidos, em 14 e 15 de dezembro.
Nas Filipinas, Lula também fará uma visita de Estado em 13 de novembro. A programação prevê a assinatura de acordos bilaterais entre os dois países. Esse tipo de visita representa um dos níveis mais elevados da diplomacia e costuma envolver reuniões entre chefes de Estado, ministros e representantes do Legislativo, além de cerimônias oficiais.
A passagem pelo país asiático ocorre em meio à estratégia do governo brasileiro de ampliar as relações comerciais com as nações do Sudeste Asiático. A Asean reúne 11 países — Indonésia, Malásia, Filipinas, Singapura, Tailândia, Vietnã, Mianmar, Brunei, Camboja, Laos e Timor-Leste — e representa uma economia conjunta estimada em US$ 4 trilhões, considerada a quinta maior do mundo.
No mês passado, Mauro Vieira visitou Singapura e Tailândia. Em agosto, Lula e o chanceler receberam em Brasília a secretária de Negócios Estrangeiros das Filipinas, Maria Tereza Lázaro.
Na COP31, o Brasil deverá transferir à Turquia a presidência da Conferência do Clima da ONU, função exercida pelo país durante a COP30, realizada em novembro de 2025, em Belém, no Pará. A equipe do Palácio do Planalto ainda prepara o discurso de Lula. A expectativa é que o presidente destaque a necessidade de fortalecer a cooperação multilateral no enfrentamento das mudanças climáticas.
Possível encontro com Milei no Mercosul
Na cúpula do Mercosul, em Montevidéu, Lula poderá se encontrar com o presidente da Argentina, Javier Milei, caso o líder argentino participe do evento. Crítico do bloco, Milei não compareceu à última reunião de cúpula, realizada em junho, em Assunção, no Paraguai.
O presidente argentino defende maior flexibilidade nas regras comerciais do Mercosul e afirma que o modelo atual prejudica os negócios do país. As divergências econômicas se somam ao desgaste político entre os dois governos, marcado por críticas frequentes de Milei à administração petista.
A tensão diplomática levou Lula a chamar de volta ao Brasil o embaixador brasileiro em Buenos Aires. O representante argentino também foi orientado a retornar ao próprio país, em uma medida que rebaixou o nível das relações diplomáticas entre os dois governos.
Integrantes da equipe de política externa de Lula não veem, neste momento, condições políticas para autorizar o retorno do embaixador brasileiro à Argentina. O cenário também é influenciado pela discussão sobre uma possível participação do governo de Milei na saída de Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil. O governo argentino, por sua vez, não divulgou comunicado reconhecendo a vitória de Lula na eleição presidencial de 25 de outubro.
A cúpula de dezembro também marcará o encerramento da presidência temporária do Uruguai no Mercosul. O chanceler uruguaio, Mario Lubetkin, descartou que seu país atue como mediador da crise entre Brasil e Argentina e defendeu a redução das tensões entre os dois presidentes.
Na agenda econômica, o bloco busca avançar nas negociações sobre a distribuição das cotas de exportação com isenção de tarifas para a União Europeia. Durante a cúpula de Assunção, também foi anunciado oficialmente o início das negociações com o Japão para um acordo de associação econômica e cooperação.
G20 não prevê reunião bilateral entre Lula e Trump
A participação de Lula na cúpula do G20, nos Estados Unidos, ocorrerá em meio a um cenário de tensão diplomática entre Brasília e Washington. Até o momento, não há previsão de uma reunião bilateral entre o presidente brasileiro e Donald Trump.
O encontro multilateral será a primeira ocasião em que os dois mandatários estarão no mesmo ambiente desde a chegada de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos. Reportagem do The New York Times apontou suspeitas de que integrantes da Casa Branca teriam auxiliado na saída do senador brasileiro do país. A informação não foi confirmada oficialmente.
Trump ainda não parabenizou Lula pela vitória eleitoral. Nos últimos dias, o presidente norte-americano questionou o resultado da votação brasileira e sugeriu, sem apresentar provas, a existência de fraude. Ao mesmo tempo, afirmou gostar do petista e disse manter uma boa relação com ele.
A última reunião presencial entre Lula e Trump ocorreu em maio deste ano, durante uma visita oficial do brasileiro à Casa Branca. O encontro durou cerca de três horas e foi descrito pelos dois presidentes como “muito bom” e “produtivo”.
Em agosto, os dois voltaram a conversar por telefone, em uma ligação de aproximadamente uma hora e meia. Na ocasião, Lula defendeu a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro e pediu que Trump não interferisse no processo eleitoral do país.
Menu