A Polícia Federal indiciou o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa e outras 13 pessoas por suspeitas de crimes financeiros.
A investigação aponta que o BRB adquiriu cerca de R$ 17,5 bilhões em ativos do Master, dos quais R$ 12,2 bilhões seriam créditos sem comprovação de existência. A PF encaminhou um relatório parcial com mais de 700 páginas ao Supremo Tribunal Federal (STF), que recebeu o material nesta quinta-feira (29) para análise. A corporação pediu mais 60 dias para concluir as perícias e diligências restantes. O caso será analisado preliminarmente pelo ministro-relator do caso André Mendonça.
Depoimento
Juntamente com o relatório, o Supremo também recebeu para análise o último depoimento que Vorcaro prestou para a PF, no dia 15 de outubro. No depoimento, ele negou ter cometido fraudes bancárias na operação de tentativa de compra do Master pelo BRB. No depoimento, os agentes questionaram o ex-banqueiro sobre as carteiras de crédito da ‘Tirreno Consultoria e Promotoria de Crédito’, empresa que a PF apontou como de fachada e que era utilizada para tentar disfarçar a ausência de liquidez dos títulos que foram repassados do Master ao BRB.
“Tive problema numa carteira [da Tirreno], peguei ativos do banco e substituí. Peguei ativos próprios meus e substituí, em boa fé com o BRB. E hoje tem mais ativos do que ele pagou”, disse Vorcaro.
“O banco vive de credibilidade. Depois da liquidação e da minha prisão, foram sacados R$ 9 bilhões do BRB. A crise do BRB não [foi] causada por mim, foi causada pela situação que ocorreu. De liquidação do Master, que era parceiro. Os ativos estão lá, eu não gerei crise de liquidez no BRB”, ele se defendeu.
Perícia
Em meio às investigações sobre o rombo bilionário do Banco Master, a defesa de Daniel Vorcaro contratou uma perícia para avaliar os dados fornecidos nos aparelhos eletrônicos do ex-banqueiro, que foram apreendidos e encaminhados ao STF. O laudo apresentado pela defesa de Vorcaro, que também foi encaminhado para análise no Supremo, alega que identificou a alteração e manipulação das informações contidas nos celulares que Vorcaro, que teriam sido modificadas após a apreensão dos aparelhos. O perito chegou a identificar 999 arquivos modificados após a apreensão dos eletrônicos.
No entanto, o documento apresentado pondera que não há como confirmar até o momento quem operou o celular de Vorcaro (um iPhone 17 Pro), se houve intervenção humana intencional e nem qual foi a extensão das alterações dos dados. Os advogados de defesa do ex-banqueiro afirmaram que não receberam os dados brutos da extração forense.
A defesa voltou a pedir que a prisão preventiva seja convertida para medidas cautelares enquanto a investigação se desenrola, citando que os agentes não finalizaram o relatório completo sobre o caso.
Além do celular da Apple, a PF também apreendeu de Vorcaro um iPad Pro e um smartphone de marca não identificada, mas os agentes não conseguiram extrair os dados desses outros aparelhos eletrônicos.
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