Após conquistar a reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já inicia suas articulações políticas e econômicas para o seu quarto mandato em 2027. Logo no dia seguinte após o segundo turno eleitoral, nesta segunda-feira (26) Lula se reuniu com os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para tratar da relação com o Congresso.
O presidente enfrentará desafios com a nova legislatura do poder Legislativo, que é majoritariamente de direita e de oposição ao governo. Somente do Partido Liberal (PL), a maior bancada em ambas as Casas, foram eleitos 121 deputados federais e 28 senadores. Somados com os demais senadores de oposição eleitos, a direita soma ao menos 50 das 81 cadeiras do Senado. Apesar de o Partido dos Trabalhadores ser a segunda maior bancada da Câmara, com 70 deputados eleitos, o número é consideravelmente inferior aos demais parlamentares do PL e da direita.
Relação muito difícil
Diante desse cenário, para a analista política na BMJ Consultores Raquel Alves “será uma relação mais difícil entre Lula e o Congresso, de extrema dependência do Centrão”. “Lula terá que dialogar mais, ceder mais para o Centrão e sobretudo reavaliar a estratégia de ‘Congresso inimigo do povo’, de ‘nós contra eles’”, ponderou Raquel em entrevista ao Correio da Manhã.
Outro desafio para Lula será no âmbito econômico. Também na segunda-feira, o presidente se reuniu com os ministros da Fazenda, Dario Durigan, e do Planejamento e Orçamento, Bruno Morett, para discutirem pautas econômicas em meio à reação negativa do mercado financeiro ao resultado eleitoral. Após a divulgação da vitória de Lula, o dólar chegou a R$ 5,406 (uma alta de 8,36%) e o Ibovespa, o principal índice da Bolsa de Valores brasileira, chegou a cair 16 pontos percentuais.
Apesar da avaliação negativa do mercado, Raquel Alves avaliou que “à medida que o governo começar a apresentar os planos reais, sinalizar a composição da nova equipe econômica, o ambiente de extrema tensão visto melhorará”. Contudo, ela reiterou que, apesar da melhora, a tendência da relação entre o governo e o mercado financeiro é de uma relação tensa, sem expectativas do mercado “aderir” a Lula.
Já no âmbito do poder Judiciário, Lula deve indicar até quatro novos nomes para assumir no Supremo Tribunal Federal (STF). Isso porque, além da saída adiantada do ex-ministro Luis Roberto Barroso em outubro de 2025, que deixou uma vaga sobrando na Suprema Corte que ainda não foi preenchida, nos próximos quatro anos três magistrados completarão 75 anos e terão aposentadoria compulsória. Em abril de 2028, o ministro Luiz Fux completará 75 anos. No ano seguinte, em abril de 2029, será a vez da ministra Cármen Lúcia e, em dezembro de 2030, se aposentará o decano do STF, ministro Gilmar Mendes.
Contudo, na última indicação de Lula, o advogado-geral da União (AGU) Jorge Messias para assumir o lugar de Barroso, o Senado recusou a indicação de Lula, um feito negativo histórico. E considerando o cenário Senado para a próxima legislatura, a analista política ponderou que a negociação prévia das indicações de Lula “terá que ser afinada e dependerá de acordo com a oposição para evitar novos episódios como do Messias”. “Talvez esse seja o grande desafio de Lula: articular um entendimento com opositores que vai sim mudar o perfil do STF, mas evitar que essa mudança de perfil converta o STF em uma Corte fraca que não consiga retornar ao papel de árbitro institucional”, destacou Raquel Alves.
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