Flávio Bolsonaro

PF apura relato de que Flávio Bolsonaro teria viajado para a Argentina

Site argentino noticiou que senador teria seguido para Puerto Iguazú em avião particular; aliados negam saída do Brasil após ordem para entrega de passaportes

PF apura relato de que Flávio Bolsonaro teria viajado para a Argentina
Flávio Bolsonaro Crédito: Reprodução/TV Globo

A Polícia Federal (PF) entrou em contato com autoridades argentinas nesta terça-feira (27) para verificar informações de que o senador Flávio Bolsonaro (PL) teria deixado o Brasil em um voo particular com destino à Argentina. O relato foi publicado durante a madrugada pelo site argentino Infobae e divulgado posteriormente pela imprensa brasileira.

Segundo a publicação, Flávio teria embarcado na noite de segunda-feira (26) em uma aeronave particular rumo a Puerto Iguazú, na Argentina, de onde seguiria para os Estados Unidos. Até o momento, porém, as informações sobre o deslocamento não foram confirmadas.

O coordenador da campanha do senador, Rogério Marinho (PL-RN), negou que Flávio tenha deixado o país. Fabio Wajngarten, ex-chefe da Secretaria de Comunicação Social do governo de Jair Bolsonaro, também rejeitou o relato e classificou a notícia como “fake news”.

O que se sabe sobre o suposto voo

De acordo com o Infobae, Flávio teria chegado a Puerto Iguazú a bordo de um jato Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, pertencente à empresa argentina Baires Fly SA. A aeronave está registrada no país desde 25 de setembro de 2020 em nome da companhia.

Dados do serviço de monitoramento aéreo Flightradar24 indicam que o voo mencionado teve origem em Buenos Aires. No entanto, as informações disponíveis na plataforma não mostram uma rota posterior que permita confirmar o destino seguinte da aeronave.

A publicação argentina afirma que o senador teria cruzado a fronteira utilizando seu documento nacional de identidade. A hipótese ainda depende de verificação pelas autoridades.

Flávio foi intimado a entregar passaportes

A apuração ocorre um dia depois de a Polícia Federal intimar Flávio Bolsonaro a entregar seus passaportes comum e diplomático. A medida foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

O senador é investigado, ao lado do advogado Willer Tomaz, em um processo que apura suspeitas de lavagem de dinheiro. A ordem de entrega dos documentos foi expedida nesse contexto.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Flávio afirmou que não pretendia deixar o Brasil e disse que cumpriria a determinação judicial.

“Nunca pensei em sair do país. Eu vou entregar os meus passaportes e vou me defender dessa aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar”, declarou.

Senador relaciona decisão a fala de Eduardo Bolsonaro

Flávio também questionou a justificativa para a retenção dos documentos. Segundo ele, a decisão de Moraes teria levado em consideração uma declaração feita em 23 de outubro pelo irmão, o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro.

Na ocasião, Eduardo teria defendido que Flávio deixasse o país caso fosse derrotado nas eleições. O argumento seria de que o senador poderia ficar mais exposto a investigações após deixar o Senado e perder a imunidade parlamentar.

Flávio negou ter manifestado intenção de sair do Brasil e contestou a utilização da declaração do irmão como fundamento para a medida judicial.

“Isso se baseou numa fala do Eduardo de 23 de outubro de que eu deveria deixar o país se eu perder essa eleição. Eu nunca falei isso. Isso é motivo para tirar meu passaporte? Isso é Justiça?”, questionou.

Até a conclusão das verificações, a suposta viagem à Argentina permanecia sem confirmação oficial.