Na reta final das campanhas eleitorais de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) antes do segundo turno neste domingo (25), os presidenciáveis se preparam para o último debate eleitoral nesta sexta-feira (23) na TV Globo, antes da decisão final do eleitor brasileiro nas urnas eletrônicas. O debate está agendado para as 21h20, logo após o jornal Nacional. Será dividido em quatro blocos, além das considerações finais.
No último domingo (18), os candidatos participaram do debate da Band, marcado por trocas de insultos e acusações. E determinas atitudes dos candidatos não foram bem avaliadas pelos eleitores. O posicionamento especialmente de Flávio, atrás de Lula enquanto ele respondia, foi avaliado como algo que tirava o foco do telespectador para o que se falava. Para evitar que o cenário se repita, durante os três primeiros blocos do debate da Globo, está determinado que quem não estiver com a palavra deve ficar no púlpito até chegar a sua vez.
Pouco informativo
Além da ocupação do espaço, parte dos telespectadores avaliaram o primeiro debate entre os candidatos à Presidência como pouco informativo. Os presidenciáveis apresentaram poucas propostas práticas para os problemas do país. Na avaliação do doutor em Direito Constitucional e pró-reitor da Estácio Brasília Murilo Borsio Bataglia, em entrevista ao Correio da Manhã, o debate da Band “demonstrou que a agressividade pode ganhar espaço na disputa eleitoral, mas nem sempre se converte em vantagem política”.
E para o debate da Globo, ele completa que os principais desafios dos candidatos serão “equilibrar o confronto político com a apresentação de propostas concretas”.
“Há espaço para críticas e questionamentos, que são legítimos em uma democracia, mas é fundamental que o eleitor consiga compreender o que cada candidato pretende fazer caso seja eleito”, reiterou Bataglia.
Para o jurista, os três aspectos mais importantes para os candidatos serão: o respeito ao tempo de fala, a capacidade de responder objetivamente aos questionamentos e a apresentação de propostas para problemas concretos do país. “O debate não precisa ser desprovido de tensão, pois a divergência faz parte do processo democrático. O que se espera é que o confronto de ideias prevaleça sobre os ataques pessoais. Ao final, o eleitor precisa ter elementos para comparar projetos, avaliar a coerência dos candidatos e tomar sua decisão de maneira informada”, ele ponderou.
Outro ponto em que Flávio foi criticado foi a falta de respostas diretas após questionamentos de Lula sobre temas considerados polêmicos. Enquanto no primeiro debate ele evitou os temas, Murilo destaca que desta vez a melhor estratégia para o senador é “responder diretamente às perguntas, evitar realizar comportamentos que possam ser interpretados como provocação e demonstrar domínio dos temas debatidos”.
Já no caso de Lula, a campanha do petista deve priorizar uma estratégia de contraste programático, de forma que o candidato evite cair em provocações que desviem a discussão dos temas de interesse público e mantenha o foco sem se dispersar. “Em um debate marcado pela polarização, a capacidade de manter a serenidade e, ao mesmo tempo, responder com firmeza pode ser politicamente relevante. O objetivo deve ser apresentar resultados, explicar decisões de governo e demonstrar quais propostas pretende implementar em um eventual novo mandato”, afirmou o doutor em Direito Constitucional.
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