Política

Meta reconhece erros técnicos, mas nega parcialidade na campanha

TSE acionou big tech após acusações da campanha de Lula de suposto favoritismo para Flávio

Meta reconhece erros técnicos, mas nega parcialidade na campanha
Reunião do ministro do TSE Kássio Nunes Marques com representantes da Meta Crédito: Antonio Augusto/TSE

Em reunião com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta terça-feira (20), a big tech norte-americana Meta (responsável pelo Facebook, WhatsApp e Instagram) declarou que “os conteúdos relativos às duas candidaturas” dos candidatos à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) “são tratados de forma igual e não discriminatória e [a equipe técnica da Meta] descreve o mecanismo que assegura essa isonomia”.

A afirmação é uma resposta a uma decisão do ministro do TSE Marco Aurélio Bellizze, que determinou nesta segunda-feira (19) um prazo de 24 horas para que a empresa apresentasse provas de que a distribuição de posts políticos e a veiculação de anúncios de campanha de Lula e Flávio estavam sendo realizadas de maneira igualitária.

O caso chegou na Justiça Eleitoral após aliados do presidente e membros da própria campanha do petista registrarem que os conteúdos da campanha eleitoral de Lula não tinham o mesmo alcance no Instagram e no WhatsApp – ao contrário da campanha de Flávio. Além disso, a Inteligência Artificial (IA) da Meta se recusava a elaborar imagens ou vídeos associados a Lula, mas não tinha a mesma dificuldade em fazer as imagens ligadas à campanha de Flávio Bolsonaro.

“Falhas recorrentes”

O Comitê de Supervisão da Meta confirmou a identificação de “falhas recorrentes” na moderação do grupo em conteúdos relacionados às eleições presidenciais no Brasil. Apesar de ter reconhecido os problemas técnicos, a empresa reforçou que não tomou partido nas eleições e negou interferência na corrida eleitoral brasileira. Segundo a Meta, o caso se tratou de “restrições técnicas que afetaram as contas de um candidato presidencial no Brasil, o que deu origem a acusações de ingerência eleitoral”.

Diante do caso e da determinação do TSE, a Meta declarou que adotará obrigatoriamente revisão humana para “desabilitar ou restringir as contas de anúncios das candidaturas do segundo turno ou o impulsionamento de seus conteúdos”.

“Se alguma restrição for aplicada por sistema automatizado, revê-la em até duas horas e comunicar a este juízo, no mesmo prazo, a medida, seu fundamento e o resultado da revisão”, declarou a equipe jurídica da Meta em representação enviada ao TSE.

Ainda nesta terça-feira, a empresa negou um pedido do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) de criar um canal de denúncias de ameaças, assédio, ataques digitais, bloqueios e suspensão de contas de jornalistas, comunicadores e veículos de comunicação. O pedido foi protocolado pelo Observatório da Violência Contra Jornalistas e Comunicadores Sociais (Observatório), órgão vinculado ao MJSP responsável por monitorar e investigar denúncias de comunicadores sociais. De acordo com a Meta, a criação do canal não é possível devido a “complexidade técnica, jurídica e operacional”.