O vazamento de informações do Smart Sampa, sistema de vigilância da Prefeitura de São Paulo, colocou sob questionamento o modelo que o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) pretende ampliar para todo o país. Investigação publicada pelo UOL nesta terça-feira (20) identificou dados expostos na internet durante aproximadamente 11 meses, permitindo acesso indevido a imagens de mais de 58 mil câmeras integradas à plataforma.
O material incluía informações que possibilitavam visualizar ambientes sensíveis, como creches, escolas, hospitais e bases de agentes de segurança. Também estavam disponíveis credenciais de usuários e dados de mais de 6 mil profissionais. Após ser alertada pela reportagem, a administração municipal retirou do ar o repositório que continha as informações.
O caso repercute na campanha presidencial porque Flávio apresentou, no debate da Band de domingo (18), o Smart Brasil, proposta de integrar câmeras de monitoramento e bancos de dados para localizar suspeitos e veículos relacionados a crimes. O projeto é inspirado no Smart Sampa e prevê a expansão da tecnologia em parceria com estados e municípios. Reportagens sobre o plano apontam a intenção de instalar mais de 1 milhão de câmeras no país.
A Prefeitura de São Paulo confirmou o vazamento, mas contestou a existência de uma vulnerabilidade estrutural na plataforma. Em nota, afirmou que os dados foram divulgados ilegalmente por um servidor autorizado a utilizar o sistema. O agente foi afastado e é investigado pela Corregedoria da Guarda Civil Metropolitana. A gestão Ricardo Nunes também declarou que não identificou uso indevido da plataforma.
A administração informou ter retirado os dados da internet e reforçado medidas de proteção, incluindo autenticação em duas etapas. As versões divergem sobre a extensão das falhas de proteção.
A dimensão do programa nacional defendido por Flávio amplia o debate sobre controle de acesso, auditoria e proteção de dados pessoais. Especialistas alertaram para os riscos de conectar imagens de locais sensíveis e informações de segurança pública a uma rede de monitoramento de grande escala.
O Smart Sampa é apresentado pela Prefeitura como ferramenta de apoio à identificação de foragidos e à localização de desaparecidos. A gestão municipal atribui ao programa milhares de prisões, mas pesquisas independentes também questionaram sua eficácia na redução de indicadores de criminalidade e apontaram episódios de identificação equivocada.
O vazamento identificado em São Paulo não comprova que o futuro Smart Brasil, caso implementado, teria as mesmas vulnerabilidades. O episódio, porém, acrescenta à disputa eleitoral uma questão concreta sobre quais garantias de segurança e fiscalização seriam exigidas na expansão nacional da tecnologia.
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