Eleições 2026

Após bloqueio de canal de Lula, Erika Hilton pede suspensão do de Flávio

Deputada pede suspensão de grupo ligado a Nikolas Ferreira após bloqueio do "Exército do Lula"; canais foram registrados no mesmo dia, mas receberam tratamentos distintos

Após bloqueio de canal de Lula, Erika Hilton pede suspensão do de Flávio
Erika Hilton acionou o TSE para pedir a suspensão do canal "Tropa do Flávio Crédito: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para pedir a suspensão do canal de WhatsApp "Tropa do Flávio", ligado à campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL). A iniciativa, anunciada na terça-feira (13), questiona a diferença de tratamento entre grupos de apoiadores dos dois candidatos ao Palácio do Planalto, depois que o presidente da Corte, Kassio Nunes Marques, determinou o bloqueio do "Exército do Lula" por 48 horas.

O principal argumento da parlamentar é que os dois canais funcionavam sem registro específico na Justiça Eleitoral. Segundo informações divulgadas nesta quarta-feira (14), tanto a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto a de Flávio Bolsonaro comunicaram formalmente seus endereços ao TSE na terça-feira. Apesar disso, apenas o canal administrado pelo deputado André Janones (Rede-MG) foi submetido à suspensão temporária.

A campanha de Flávio havia informado ao tribunal, em 7 de outubro, a existência do site "Tropa do Flávio", mas somente no dia 13 complementou o registro para indicar que o endereço direcionava a um canal de WhatsApp. A ferramenta reúne aproximadamente 1,7 milhão de integrantes, enquanto o grupo de Janones ultrapassou 4 milhões antes de sair do ar.

Erika sustenta que as regras eleitorais devem ser aplicadas de maneira uniforme. A deputada afirma que o canal pró-Flávio, associado ao deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), também teria divulgado conteúdos falsos durante a campanha. Entre os episódios mencionados está a circulação de imagens que associavam indevidamente uma jovem aparentemente consumindo drogas a uma manifestação favorável a Lula na Avenida Paulista. O vídeo, entretanto, já circulava nas redes sociais antes do ato político.

A controvérsia ganhou novos contornos após a campanha de Lula apresentar um pedido urgente ao TSE para restabelecer o "Exército do Lula". A coligação argumenta que a suspensão compromete a igualdade de condições entre os candidatos, especialmente porque o canal adversário continuou funcionando após a regularização de seu endereço eletrônico.

O bloqueio determinado por Kassio ocorreu após uma ação da campanha de Flávio que apontava suposta disseminação de desinformação. Um relatório técnico do TSE não encontrou, entre as publicações examinadas, os conteúdos falsos indicados na representação. O documento, porém, registrou que mensagens anteriormente excluídas poderiam ter prejudicado a análise. Janones confirmou ter apagado cerca de 500 publicações.

A disputa também provocou divergências entre Kassio e o corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, responsável por decisões anteriores que permitiram o restabelecimento do canal petista. Cueva pediu que o impasse seja submetido ao plenário da Corte para delimitar as competências dos ministros.

Até a atualização desta reportagem, não havia confirmação de decisão do TSE determinando a suspensão da "Tropa do Flávio". A diferença entre as medidas adotadas passou a integrar o questionamento apresentado pela campanha de Lula, mas ainda depende de análise judicial para que seja reconhecida eventual violação ao princípio da igualdade entre as candidaturas.