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Lula diz que 'tem maluco para tudo' ao alertar sobre perda de direitos

A 11 dias do segundo turno, presidente pede que jovens se organizem para defender conquistas sociais durante evento que regulamentou a indústria de games no Brasil

Lula diz que 'tem maluco para tudo' ao alertar sobre perda de direitos
Ao discursar para jovens presentes no evento, Lula pediu mobilização para preservar conquistas sociais Crédito: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (14) que é difícil construir políticas públicas, mas que basta um passo para destruí-las. A declaração foi feita durante uma cerimônia no Palácio do Planalto para regulamentar o Marco Legal da Indústria de Jogos Eletrônicos, a 11 dias do segundo turno da eleição presidencial, em que enfrenta Flávio Bolsonaro (PL).

Ao discursar para jovens presentes no evento, Lula pediu mobilização para preservar conquistas sociais e fez uma referência indireta às diferenças políticas entre seu governo e a oposição.

“Se preparem, porque fazer é difícil, para destruir, é apenas um passo. É um passo. Então, se organizem, para que vocês não permitam que ninguém tire o que vocês conquistaram. Porque vocês sabem que tem maluco pra tudo. Não é só maluco beleza, tem maluco pra tudo”, afirmou.

A campanha petista tem sustentado que, se Flávio Bolsonaro vencer a eleição, programas sociais criados ou ampliados em governos do PT, como Pé-de-Meia, Minha Casa, Minha Vida e Farmácia Popular, podem ser afetados. O candidato do PL nega que pretenda acabar com essas iniciativas.

Na sequência do discurso, Lula citou temas relacionados à educação e a costumes para criticar posições que considera retrocessos.

“E o cara pode entrar e falar: 'Não gosto disso, não presta, vai ensinar bobagem para o meu filho, porque quero uma escolha cívico-militar, porque eu não quero banheiro unissex'. Ou seja, essas loucuras que a gente pensava que não existiam mais, mas que existem”, disse.

O presidente também defendeu que o setor de jogos eletrônicos aproveite a nova regulamentação para ampliar a produção nacional e se consolidar como uma indústria.

Lula regulamenta Marco Legal dos Games

Durante a cerimônia, Lula assinou o decreto que regulamenta o Marco Legal da Indústria de Jogos Eletrônicos. A legislação foi aprovada pelo Congresso Nacional em abril de 2024 e sancionada pelo presidente no mesmo ano, mas ainda dependia de regulamentação para orientar sua aplicação.

O marco estabelece regras para o desenvolvimento, a fabricação e a comercialização de jogos eletrônicos no país, além de prever instrumentos de incentivo ao setor. Antes da assinatura, Lula se reuniu com representantes da comunidade gamer no Planalto e experimentou o jogo brasileiro Árida.

Entre as medidas anunciadas está a criação da plataforma pública Game Brasil, destinada a catalogar, promover e divulgar jogos nacionais, além de informar onde estão disponíveis.

O pacote também prevê mecanismos de financiamento e incentivo à produção. Empresas do setor poderão buscar recursos por meio de instrumentos de incentivo fiscal voltados à cultura, incluindo a possibilidade de acesso à Lei Rouanet.

Pacote prevê R$ 200 milhões para inovação

As iniciativas anunciadas incluem uma chamada pública de R$ 200 milhões da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), voltada a startups e soluções inovadoras. Também estão previstas medidas para facilitar o acesso a recursos do Fundo Setorial do Audiovisual, com uma proposta da Agência Nacional do Cinema (Ancine) para reduzir o valor mínimo de empréstimos a R$ 150 mil e diminuir os juros.

O plano contempla ainda a captação de recursos por meio da Lei do Audiovisual e a criação do programa Rouanet Games, destinado a incentivar patrocínios para projetos do setor.

Na área de formação profissional, o Ministério da Educação deverá criar cursos de graduação relacionados à indústria de jogos em cinco universidades federais. A iniciativa será complementada por ações de capacitação dos ministérios da Cultura e da Ciência, Tecnologia e Inovação.

O decreto também prevê medidas de proteção à saúde dos usuários e de crianças e adolescentes, em articulação com o ECA Digital. Outras frentes incluem a simplificação de procedimentos de importação e aduaneiros, o fortalecimento da proteção à propriedade intelectual e a criação de um comitê interministerial para acompanhar as ações voltadas à indústria.