A equipe técnica do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não encontrou novas publicações com informações falsas entre os conteúdos examinados no canal “Exército do Lula”, no WhatsApp. O relatório foi elaborado por determinação do presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, em meio à disputa judicial sobre o funcionamento do canal, que reúne mais de 3 milhões de inscritos.
Apesar de não identificar novas publicações que reproduzam os conteúdos analisados anteriormente pelo tribunal, a Assessoria de Enfrentamento à Desinformação do TSE alertou para riscos relacionados ao alcance das mensagens, à mobilização coordenada de seguidores e ao uso de linguagem polarizadora perto do segundo turno presidencial, marcado para 25 de outubro.
“Não foram localizadas novas publicações que reproduzam os conteúdos examinados nos autos, ressalvando o conteúdo de vídeos que, pela urgência, não foram transcritos”, diz o relatório.
O chefe da assessoria, Frederico Alvim, destacou que o volume de encaminhamentos e as orientações para ampliar a circulação das mensagens podem aumentar o alcance das publicações. O documento, porém, não aponta a identificação de novas notícias falsas contra o candidato adversário.
Relatório aponta risco de disseminação em massa
A análise abrangeu publicações feitas no canal entre 2 e 11 de outubro. Entre os fatores de atenção, a equipe técnica citou o potencial de alcance das mensagens, o volume de compartilhamentos e a existência de orientações coordenadas para mobilizar apoiadores.
O relatório também chamou atenção para o tom de parte das publicações. “Registra-se, ainda, nas mensagens examinadas, o emprego recorrente de uma linguagem polarizadora, que tende a estabelecer uma lógica de confronto potencialmente contrária à condição das eleições como um substitutivo do conflito”, afirma o documento.
Segundo a avaliação técnica, esses elementos podem ampliar a circulação de conteúdos e representar um fator de risco para a disseminação de informações falsas em período eleitoral. O alerta, contudo, não equivale à constatação de que novas notícias falsas tenham sido publicadas no intervalo analisado.
Outro ponto destacado foi a exclusão de mensagens antigas. Parte das publicações de setembro começou a ser apagada em 7 de outubro, o que, segundo o relatório, dificulta a reconstrução do histórico do canal e a análise completa do material divulgado anteriormente.
Coordenado pelo deputado eleito André Janones (Rede-MG), o “Exército do Lula” compartilha áudios, vídeos e orientações para apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição.
Disputa no TSE começou após pedido de Flávio Bolsonaro
O impasse judicial teve início com uma solicitação da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula no segundo turno. A equipe do senador alegou que o canal divulgava notícias falsas contra o candidato.
No domingo (11), Nunes Marques determinou a suspensão do funcionamento do canal. Horas depois, o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, suspendeu os efeitos dessa ordem e autorizou provisoriamente a retomada das atividades.
Cueva, no entanto, proibiu a divulgação de conteúdos falsos já analisados pelo TSE e estabeleceu que o canal poderá ser suspenso novamente caso a determinação seja descumprida. A decisão deverá ser examinada pelo plenário da Corte.
A análise técnica determinada por Nunes Marques integra esse embate sobre os limites da atuação da Justiça Eleitoral diante de possíveis irregularidades na comunicação política durante a campanha.
Lula e Flávio criticaram decisões da Justiça Eleitoral
Lula classificou como “absurda” a decisão inicial de suspender o canal e afirmou que sua campanha pediria explicações ao tribunal. O presidente fez a declaração no domingo, antes de participar de um ato com apoiadores na Avenida Paulista, em São Paulo.
“Acho um absurdo. Acho que os nossos advogados vão ter que entrar com um pedido de explicação do critério, porque já há alguns dias eu estou percebendo que há muitas decisões tendenciosas contra a nossa candidatura”, disse Lula a jornalistas.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, afirmou ser alvo de mentiras disseminadas pela campanha adversária. O senador declarou que enfrenta um “canal de divulgação de mentiras em massa”, mas não mencionou nominalmente o “Exército do Lula”.
Com a divulgação do relatório, o TSE passa a contar com uma avaliação técnica sobre o conteúdo examinado e os riscos associados à sua circulação. A análise não identificou novas publicações com informações falsas já examinadas nos autos, mas apontou fatores que, na avaliação da assessoria, merecem atenção durante o segundo turno.
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