Política

Preocupado com avanço da direita, Fachin se reúne com senadores

"Não terá vingança nem omissão ao STF" em eventual governo Flávio, declarou Rogério Marinho

Preocupado com avanço da direita, Fachin se reúne com senadores
Marinho para Fachin: "O Senado não fará vingança, mas não será omisso" Crédito: Rosinei Coutinho/STF

Após a divulgação dos resultados do primeiro turno eleitoral e a nova composição do Congresso Nacional apontar um aumento da direita no Senado Federal, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, se reuniu na terça-feira (6) com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para tratar de assuntos de interesse do Poder Judiciário no Congresso Nacional. Ele ainda se encontrou com senadores da base e da oposição governista. Todos os encontros estavam previstos na agenda do ministro.

Vale destacar que o Senado tem o poder de aprovar o impeachment de um ministro do Supremo e, com o cenário da nova composição do poder Legislativo, ao menos 49 senadores se manifestam favoráveis a eventuais processos de afastamento, especialmente do ministro Alexandre de Moraes. Davi Alcolumbre já acumula 109 pedidos de impeachment contra ministros do Supremo. Outro tema de interesse da direita que preocupa o STF é a retirada de casos criminais de competência do Supremo.

Rogério Marinho

Entre os senadores, Fachin se encontrou com Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha à presidência da República do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) – que disputará o segundo turno eleitoral com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em conversa com a imprensa após o encontro, Marinho afirmou que, caso Flávio ganhe o segundo turno e se torne o próximo presidente do país, a direita não buscará “vingança”. Contudo, ele declarou que os congressistas não serão omissos a eventuais irregularidades ou abuso de poder dos magistrados.

“Deixamos claro que, na hora que houver algum crime de responsabilidade por um ministro do STF, o Senado não vai se omitir. E hoje ele tem se omitido”, disse o senador, que voltou a defender a separação entre os poderes.

Logo após se encontrar com o coordenador da campanha de Flávio, o presidente da Suprema Corte também se reuniu com a líder do governo no Senado, senadora Teresa Leitão (PT-PE). O encontro visava esclarecer ao ministro do STF quando o Senado votaria a Proposta de Emenda à Constituição da Segurança Pública (PEC 18/2025), que está travada no Senado desde março. Segundo a líder, apesar das alterações sobre a segurança pública estarem entre as prioridades do governo federal, o poder Executivo está concentrando esforços para aprovar o fim da escala 6x1 (PEC 221/2019).