A nova composição do Congresso Nacional deve alterar as negociações para a eleição dos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado, marcada para fevereiro de 2027. O avanço do PL, que terá as maiores bancadas nas duas Casas, aumenta a pressão sobre Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União-AP), que pretendem permanecer no comando do Legislativo por mais dois anos.
O PL elegeu 121 deputados federais e 19 senadores no primeiro turno das eleições, realizado no domingo (4). Com isso, a legenda terá a maior bancada da Câmara a partir de 2027 e chegará a 28 representantes no Senado.
A mudança na correlação de forças ocorre após um período em que Motta e Alcolumbre estreitaram a relação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O presidente da Câmara chegou a declarar apoio à candidatura do petista à reeleição. Alcolumbre, por sua vez, manteve uma aproximação institucional com o governo, mas sem declarar publicamente apoio a Lula.
O resultado das eleições acrescenta um novo componente às negociações. Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno da disputa presidencial à frente de Lula, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do presidente. Os dois disputarão o segundo turno em 25 de outubro.
Hugo Motta enfrenta pressão do PL
Na Câmara, Motta terá de negociar com uma bancada do PL significativamente maior do que a atual. A legenda passará de 98 para 121 deputados, tornando-se a maior força partidária da Casa a partir da próxima legislatura.
Motta foi eleito presidente da Câmara em fevereiro de 2025 com apoio de uma ampla aliança que reuniu partidos de diferentes campos políticos, incluindo o PT e o próprio PL. Desde então, porém, acumulou divergências com integrantes do partido de Flávio Bolsonaro.
Entre os episódios que provocaram atritos estão a resistência à votação de uma proposta ampla de anistia relacionada aos condenados pelos atos de 8 de janeiro e decisões envolvendo mandatos de parlamentares do PL.
O apoio declarado a Lula durante a campanha presidencial também ampliou a distância entre Motta e setores do partido. Agora, integrantes do PL defendem internamente a possibilidade de lançar um nome próprio para a presidência da Câmara.
O líder da legenda na Casa, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), é citado entre os possíveis interessados na disputa. Outra alternativa discutida nos bastidores é a formação de uma candidatura com algum partido do chamado Centrão que tenha proximidade com a direita.
O resultado eleitoral de 2026, contudo, não define antecipadamente quem comandará a Câmara. A eleição da Mesa depende da articulação entre as bancadas e da obtenção da maioria necessária entre os deputados.
Senado terá disputa com bancada ampliada
No Senado, a situação de Alcolumbre também ficou mais complexa. O PL elegeu 19 dos 54 senadores escolhidos neste ano e passará a contar com 28 cadeiras na Casa em 2027. O número representa a maior bancada partidária no Senado no início de uma legislatura desde a Constituição de 1988.
O crescimento da legenda fortalece a discussão sobre uma candidatura própria à presidência do Senado. O senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição e integrante da campanha de Flávio Bolsonaro, é apontado como um dos nomes que podem entrar na disputa.
A presidente do PP no Senado, Tereza Cristina (MS), também aparece entre os nomes citados nas articulações para a próxima Mesa.
Para ser eleito presidente do Senado, um candidato precisa obter pelo menos 41 votos, número correspondente à maioria absoluta dos 81 senadores. A formação de alianças, portanto, será determinante diante da nova distribuição das cadeiras.
Alcolumbre também chega à disputa depois de um revés político em seu estado. No Amapá, o governador Clécio Luís (União) não conseguiu se reeleger, enquanto os candidatos apoiados pelo grupo de Alcolumbre para o Senado também não conquistaram as duas vagas.
Escala 6x1 entra no primeiro teste
A tramitação da PEC que prevê o fim da escala 6x1 será um dos primeiros temas a testar a nova correlação política no Senado. Alcolumbre marcou para esta terça-feira (6) o início da discussão da proposta em plenário, dois dias depois do primeiro turno das eleições.
A PEC prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas e a garantia de dois dias de descanso remunerado por semana, sem redução salarial. Para ser aprovada no Senado, uma proposta de emenda à Constituição precisa de pelo menos 49 votos em dois turnos.
O calendário foi definido por Alcolumbre antes do primeiro turno, mas o resultado das eleições alterou o ambiente político em torno da matéria. O PL, que ampliou significativamente sua presença no Senado, possui parlamentares que se opõem ao texto.
A votação também ganhou importância nas negociações entre governo e Congresso. A proposta é uma das prioridades do governo Lula e sua tramitação ocorre justamente durante a campanha para o segundo turno da eleição presidencial.
Nova correlação de forças
A eleição de 2026, portanto, acrescentou um novo elemento às negociações que definirão os comandos da Câmara e do Senado em 2027. Motta e Alcolumbre ainda podem buscar alianças para permanecer nas presidências, mas precisarão considerar uma composição parlamentar na qual o PL terá peso maior nas duas Casas.
Na Câmara, a legenda terá 121 dos 513 deputados. No Senado, serão 28 dos 81 parlamentares. A partir de fevereiro, os dois presidentes terão de construir acordos com bancadas maiores e mais organizadas da direita para garantir apoio às suas candidaturas.
A eleição das Mesas Diretoras ocorrerá no início da próxima legislatura e será uma das primeiras grandes disputas políticas do Congresso eleito em 2026.
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