Faltando poucos dias para o primeiro turno das eleições gerais, marcado para este domingo (4), segue a incerteza se Luiz Inácio Lula da Silva (PT), participará ou não de um dos atos mais importantes desta reta final: o debate presidencial da Globo, agendado para esta quinta-feira (1º) por volta das 21h20.
Este será o último debate presidencial antes do primeiro turno. Além disso, ao contrário dos outros, o principal adversário de Lula na corrida eleitoral, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), confirmou presença, mesmo caso o petista não compareça. Além de Lula e Flávio Bolsonaro, foram convidados para participar do debate o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) e o escritor Augusto Cury (Avante). Uma decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kássio Nunes Marques, determinou que a Globo inclua também o candidato do Novo, Romeu Zema.
Nos bastidores, parte da campanha de Lula defende que ele não compareça a debates eleitorais antes do primeiro turno para não ter sua imagem e candidatura desgastada pelo embate com seus demais adversários, especialmente Flávio Bolsonaro. O presidente do Partido dos Trabalhadores (PT) Edinho Silva já declarou em entrevista à rádio TMC que Lula tem interesse em “confrontar os interesses dele para o Brasil com os interesses de Flávio”, mas que o modelo de debate promovido pela emissora não é interessante. “Se for um modelo de debate onde o presidente Lula faz uma pergunta e fica meia hora esperando para fazer a segunda, evidente que esse confronto de ideias [entre ele e Flávio] não vai acontecer”, disse Edinho.
Por outro lado, outra parte da campanha do petista, orienta que o presidente compareça ao debate para que ele esteja apto a responder ataques dos adversários e buscar atrair os eleitores indecisos ou que manifestaram que podem trocar de voto.
“Pegar mal”
Ao Correio da Manhã, o doutor em estratégia de marketing e professor do Ibmec Brasília Bruno Saboya avaliou que a ausência de Lula “pode pegar mal, especialmente entre eleitores indecisos que valorizam a disposição do candidato para apresentar propostas e enfrentar questionamentos”.
Contudo, o doutor em estratégia de marketing ponderou que a polarização política tende a reduzir o custo da campanha do petista entre eleitores mais fiéis. “Os debates não deixaram de influenciar o voto, mas sua influência é desigual. Eles provavelmente têm menos capacidade de alterar posições muito consolidadas e maior relevância para quem ainda está avaliando as opções. A ausência pode, assim, ter um custo eleitoral menor do que se imaginaria, mas esse custo não deve ser desprezado em uma disputa apertada”, ele reiterou.
E atrair o eleitor indeciso se mostra cada vez mais necessário para a campanha à reeleição de Lula. As últimas pesquisas eleitorais apontam empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno eleitoral. E, apesar de a maioria dos levantamentos mostrarem Lula liderando o primeiro turno eleitoral, o petista não tem tanta margem de diferença muito elevada entre a intenção de votos nele e em Flávio.
Diante disso, Bruno Saboya avalia que Lula “não está em uma posição suficientemente confortável para considerar essa ausência uma decisão sem ônus”.
“Liderar o primeiro turno não significa ter a vitória assegurada em um possível segundo turno. São situações distintas a de mobilizar quem já apoia sua candidatura, e a de conquistar a confiança de quem ainda está indeciso ou pretende votar em outro candidato. Nesse contexto, a participação no debate tem importância porque oferece uma oportunidade de falar para além da própria base, responder a críticas e demonstrar capacidade de conduzir o país. Naturalmente, existe o risco de desgaste em um confronto com os adversários, mas faltar também envolve exposição, ficando sem a possibilidade de resposta no evento”, detalhou o professor para a reportagem.
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