Julgamento

Gilmar Mendes e André Mendonça discutem durante julgamento no STF

Decano acusou condução do caso de ter "viés eleitoral"; relator reagiu e chamou declaração de "leviana"

Gilmar Mendes e André Mendonça discutem durante julgamento no STF
O ministro Gilmar Mendes, do STF Crédito: Victor Piemonte/STF

O julgamento realizado nesta terça-feira (15) no Supremo Tribunal Federal (STF) foi marcado por uma discussão acalorada entre os ministros Gilmar Mendes e André Mendonça. O embate ocorreu durante a análise da validade de um relatório elaborado pela Polícia Federal (PF) relacionado ao ministro Alexandre de Moraes.

Decano da Corte, Gilmar acusou a condução do processo de apresentar um “inequívoco viés eleitoral”. A declaração provocou uma reação imediata de Mendonça, relator do caso, que classificou a fala do colega como “leviana”.

A troca de acusações aconteceu em meio a divergências sobre a tramitação do processo, a atuação da Polícia Federal e os limites da competência da Presidência do Supremo na condução dos procedimentos relacionados ao caso.

Gilmar acusa processo de ter viés eleitoral

Durante sua manifestação, Gilmar Mendes questionou a maneira como o caso chegou à apreciação do Supremo. Para o ministro, a escolha de determinadas datas e o contexto político do país indicariam uma possível motivação eleitoral.

“É evidente e até as pedras sabem que há um inequívoco viés eleitoral na forma como o tema foi conduzido nos autos dessa PET. Escolha de data, 7 de Setembro, todo esse cenário envolvendo essa Corte em campanha eleitoral”, declarou.

Em outro momento do debate, o decano afirmou enxergar uma “evidente condução político-eleitoral” na atuação de André Mendonça.

A afirmação provocou uma reação direta do relator.

“O senhor está sendo leviano”, respondeu Mendonça.

Discussão entre ministros sobe de tom

A divergência avançou durante a sessão. Gilmar voltou a questionar a condução do processo e reiterou sua avaliação de que haveria motivação político-eleitoral.

“Evidente condução eleitoral. Isso não se faz. Pessoas decentes não fazem isso”, afirmou o ministro.

Mendonça pediu que o colega mantivesse o respeito durante o debate.

“Não aponte o dedo para mim. Não está falando com qualquer um. Respeite esse tribunal”, respondeu.

Gilmar rebateu na sequência:

“Quem não se dá respeito não merece respeito.”

O episódio expôs publicamente a dimensão das divergências entre os integrantes do STF em torno da investigação.

Moraes também confronta Mendonça

Antes do confronto entre Gilmar e Mendonça, Alexandre de Moraes já havia elevado o tom da sessão ao mencionar supostas tentativas de envolvê-lo em uma colaboração premiada.

“Quem chamou a Polícia Federal e exigiu que a Polícia Federal colocasse um colega na colaboração premiada? Vamos trazer aqui testemunhas que eu vou indicar. Não só policiais, mas também advogados”, afirmou Moraes.

Mendonça respondeu de forma imediata:

“Mentira.”

Na sequência, Moraes relacionou a suposta iniciativa a interesses políticos e afirmou que a inclusão de seu nome estaria ligada à atuação de um grupo que, segundo ele, teria tentado promover um golpe no país.

“Inclua o ministro Alexandre. Por quê? Porque está a serviço de um grupo político que quis dar um golpe neste país”, declarou.

Caso envolve Banco Master e relatório da PF

O bate-boca ocorreu durante a análise de procedimentos relacionados à investigação envolvendo Daniel Vorcaro, empresário ligado ao Banco Master, e um relatório produzido pela Polícia Federal.

Os ministros discutiram possíveis irregularidades na condução das apurações, os caminhos adotados para a tramitação dos processos e a competência da Presidência do STF para concentrar procedimentos relacionados ao caso.

A sessão ocorre em meio a uma crise interna no Supremo, marcada por divergências entre ministros sobre a atuação da Polícia Federal e sobre a condução de investigações que envolvem integrantes da própria Corte.

O embate desta terça-feira tornou públicas parte dessas divergências e aumentou a tensão durante a análise do caso.