Caso Master

PGR defende abrir novo sigilo no caso Master antes de julgamento

Manifestação foi enviada ao STF após pedido de Alexandre de Moraes para tornar pública investigação sobre rede de pagamentos de Daniel Vorcaro

PGR defende abrir novo sigilo no caso Master antes de julgamento
Prédio da Procuradoria Geral da República, sede do MPF Crédito: Antonio Scarpinetti/Unicamp

A Procuradoria-Geral da República (PGR) defendeu nesta segunda-feira (14) a retirada do sigilo de mais uma investigação relacionada ao caso Master. A manifestação foi encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF) um dia antes da sessão marcada para esta terça-feira (15), que deverá discutir o relatório da Polícia Federal sobre mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

O pedido de abertura do sigilo foi feito pelo próprio Moraes no domingo (13). O ministro solicitou que o conteúdo do inquérito fosse tornado público antes da análise do caso pelo plenário da Corte.

A investigação envolve a rede de pagamentos atribuída a Vorcaro e ao Banco Master, instituição financeira que foi posteriormente extinta. A decisão final sobre a divulgação do material ainda cabe ao presidente do STF, ministro Edson Fachin.

PGR diz que não conhecia documento

A manifestação foi assinada pelo vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateabriand Filho.

Segundo a PGR, a instituição não havia defendido anteriormente a retirada do sigilo porque não tinha conhecimento da existência do documento. A Procuradoria afirma que, nos demais pedidos de abertura de sigilo relacionados ao caso, sua posição tem sido favorável à publicidade.

Para o órgão, o documento deve ser disponibilizado por ser considerado relevante para que os ministros tenham uma visão completa dos elementos que serão analisados pelo Supremo.

A manifestação agora será submetida à avaliação de Fachin, que conduz o procedimento no STF.

STF já abriu 53 procedimentos do caso Master

A nova solicitação ocorre em meio à abertura gradual de documentos relacionados ao caso Master.

Até o momento, 53 procedimentos de investigação vinculados ao caso tiveram o sigilo retirado pelo Supremo. A medida foi adotada após iniciativa de Fachin para ampliar o acesso aos elementos reunidos nas diferentes frentes da apuração.

A divulgação de mais esse material ocorre na véspera de uma sessão considerada decisiva para o futuro da investigação envolvendo Moraes e Vorcaro.

STF analisa relatório da PF sobre Moraes

Está prevista para esta terça-feira (15) a sessão em que o STF deverá discutir o relatório elaborado pela Polícia Federal sobre as mensagens trocadas entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro.

Fachin convocou o plenário na semana passada para analisar a questão depois que o documento produzido pela PF apontou uma possível relação entre o ministro e o então controlador do Banco Master.

O relatório foi elaborado a partir de uma determinação de André Mendonça e se tornou um dos principais pontos de tensão dentro do Supremo no contexto das investigações relacionadas ao banco.

PGR pediu arquivamento do relatório

Antes da sessão, a própria PGR já havia se manifestado pela rejeição do relatório produzido sob determinação de Mendonça.

A Procuradoria considera que houve problemas na origem da apuração. Entre os pontos levantados estão a ausência de comunicação prévia à Presidência do STF, a falta de submissão da medida ao plenário e um suposto direcionamento na obtenção dos dados.

Na avaliação da PGR, essas questões poderiam comprometer a validade do documento e levar ao seu arquivamento antes mesmo de os ministros discutirem se as mensagens encontradas pela PF justificariam a abertura de uma investigação.

PF encontrou 52 mensagens

Segundo o relatório da Polícia Federal, foram localizadas 52 mensagens trocadas entre Moraes e Vorcaro entre 21 de dezembro de 2023 e 17 de novembro de 2025, data da primeira prisão do ex-banqueiro.

O documento da PF também aponta que Moraes teria participado diretamente da análise e da edição de um contrato de R$ 130 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, pertencente à advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro.

As conclusões apresentadas no relatório são objeto da análise do STF e não representam, por si só, uma conclusão definitiva sobre eventual prática irregular.

A sessão desta terça-feira deverá definir justamente se os elementos reunidos são suficientes para justificar a abertura de uma investigação e quais procedimentos deverão ser adotados pela Corte.