PGR pede a André Mendonça que caso de Lulinha saia do STF e vá para a primeira instância

Procuradoria afirma que não há investigado com foro privilegiado no inquérito. Supremo ainda não decidiu sobre o pedido.

Por Bianca Lobianco

A defesa de Lulinha tem afirmado que as investigações não deveriam tramitar no Supremo e nega qualquer irregularidade por parte do empresário.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que um dos inquéritos que investigam Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, seja enviado para a primeira instância da Justiça. A manifestação considera que não há, na investigação, autoridade com foro por prerrogativa de função que justifique a permanência do caso no Supremo.

O pedido foi apresentado pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, após Mendonça autorizar a abertura de uma das investigações contra Lulinha. O ministro ainda não analisou a solicitação. Atualmente, três inquéritos envolvendo o filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tramitam no STF: dois são relatados por Mendonça e um está sob responsabilidade do ministro Flávio Dino.

A investigação trata de suspeitas de tráfico de influência envolvendo Lulinha e a lobista Roberta Luchsinger. Segundo informações reunidas pela Polícia Federal, ela teria atuado para tentar viabilizar a venda de um projeto de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde. A empresária também é apontada como próxima de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS". As defesas de Lulinha e de Luchsinger negam irregularidades.

De acordo com a apuração da PF, Luchsinger teria dito a interlocutores que falava em nome de Lulinha e buscava uma remuneração de 20% caso o negócio fosse concretizado. O projeto, no entanto, não avançou. A empresária também teria realizado ao menos 40 visitas a ministérios e à Presidência entre 2023 e 2024, embora apenas uma delas apareça nas agendas públicas oficiais.

A permanência do caso no STF ocorreu, até agora, em razão de referências a pessoas com foro privilegiado presentes nas conversas analisadas pelos investigadores. A PGR, porém, entende que isso não é suficiente para manter o inquérito na Corte. Caso Mendonça acolha a manifestação, a investigação deverá seguir para a primeira instância competente.

A defesa de Lulinha tem afirmado que as investigações não deveriam tramitar no Supremo e nega qualquer irregularidade por parte do empresário.