André Mendonça

André Mendonça cobra autonomia da PF durante reunião para conter crise institucional

Encontro reuniu ministros do governo para discutir tensão entre a Polícia Federal e o gabinete de André Mendonça após divergências sobre investigações do INSS e do Banco Master

André Mendonça cobra autonomia da PF durante reunião para conter crise institucional
André Mendonça Crédito: Gustavo Moreno/STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça defendeu que a Polícia Federal (PF) tenha liberdade para conduzir suas investigações durante uma reunião realizada para tratar da crise institucional envolvendo a corporação e o gabinete do magistrado. O encontro ocorreu nesta sexta-feira (7) e reuniu integrantes do governo federal em busca de uma solução para as divergências que marcaram a relação entre as duas instituições.

Segundo relatos de participantes, Mendonça destacou a necessidade de preservar a independência da Polícia Federal nas apurações em andamento. Em resposta, o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, afirmou que o governo não pretende interferir no trabalho da corporação e reforçou que todas as investigações devem prosseguir com autonomia e rigor técnico.

Reunião buscou reduzir tensão entre STF e Polícia Federal

A articulação do encontro foi conduzida pelo ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, apontado como um dos responsáveis por abrir um canal de diálogo entre o gabinete de André Mendonça e a direção da Polícia Federal.

Embora o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, não tenha participado da reunião, a avaliação dos presentes foi de que o encontro contribuiu para diminuir a tensão e criar condições para que os impasses sejam solucionados pelas vias institucionais.

Nos bastidores, integrantes do governo consideram que o ambiente ficou mais favorável ao diálogo, mas reconhecem que a superação definitiva da crise dependerá das próximas decisões adotadas tanto pela equipe do ministro quanto pela cúpula da Polícia Federal.

Divergências surgiram durante investigações

A tensão entre as partes ganhou força em meio às investigações relacionadas ao caso do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e ao Banco Master.

De acordo com interlocutores, havia desconfianças mútuas sobre possíveis vazamentos de informações sigilosas das investigações, especialmente das apurações envolvendo contratos ligados ao INSS.

O gabinete de André Mendonça também vinha demonstrando preocupação com o ritmo das investigações conduzidas pela Polícia Federal. Em resposta ao avanço das apurações, a corporação concluiu dois inquéritos relacionados à Conafer e à Contag e solicitou a abertura de novas investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, por suspeitas de tráfico de influência.

Governo pede respeito aos procedimentos da PF

Durante a reunião, o ministro da Justiça reforçou que os procedimentos internos da Polícia Federal devem ser respeitados e que as investigações precisam seguir os protocolos previstos na legislação, sem interferências externas.

Segundo participantes, o objetivo foi reduzir o clima de desconfiança que vinha afetando a relação entre o gabinete do relator e a corporação.

Nos bastidores, delegados da Polícia Federal também manifestavam insatisfação com algumas determinações atribuídas ao gabinete de André Mendonça, como pedidos de envio integral e organizado de materiais investigativos e a concentração das informações diretamente na relatoria dos casos.

Apesar das divergências, a expectativa entre integrantes do governo é de que o diálogo estabelecido durante a reunião contribua para restabelecer a cooperação institucional entre o Supremo Tribunal Federal e a Polícia Federal, preservando a autonomia das investigações e o funcionamento regular das instituições.