Política

PF investiga até onde ia atuação de lobista em nome de Lulinha

Mensagens em que Roberta Luchsinger diz "eu sou o Fábio" e relatos sobre reuniões em uma mansão de Brasília ampliam as suspeitas apuradas em três inquéritos no STF

PF investiga até onde ia atuação de lobista em nome de Lulinha
Mensagens mostrariam proximidade entre Roberta e Lulinha: "Eu sou o Fábio" Crédito: Reprodução/Instagram

A investigação sobre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, ganhou uma nova pergunta para a Polícia Federal sobre até onde Roberta Luchsinger, a lobista, podia falar e agir em nome do filho mais velho do presidente Lula (PT). A empresária, que mantém uma relação de amizade com ele, aparece em diferentes pontas de três inquéritos que apuram suspeitas de tráfico de influência dentro do governo federal.

A dúvida ganhou força depois que investigadores encontraram uma mensagem em que Roberta se apresenta a um interlocutor envolvido na prospecção de negócios junto ao governo como representante de Lulinha. “Eles sabem o que eu sou. Eu sou o Fabio”, escreveu. Ao analisar o diálogo, a PF registrou em relatório que, “aparentemente Roberta tinha autorização para agir em nome dele”. As informações foram reveladas pela Folha de S. Paulo e confirmadas pelo Correio da Manhã.

A defesa contesta essa interpretação. O advogado Marco Aurélio Carvalho afirma que Lulinha não pode responder pelo que Roberta dizia a terceiros e questiona até mesmo a validade do material divulgado. “Nós não podemos até o presente momento atestar a autenticidade dessas supostas mensagens”, disse.

Casa em Brasília

É nesse cenário que uma mansão no Lago Sul, área nobre de Brasília, passou a interessar à reconstrução da relação entre os dois. O imóvel era alugado por Roberta e frequentado por Lulinha quando ele estava na capital.

Segundo reportagem de O Globo, uma ex-funcionária que trabalhou na residência entre 2024 e 2025 relatou que o filho do presidente frequentava o local e que a casa recebia reuniões reservadas. A informação acrescenta uma nova dimensão ao imóvel, que já havia aparecido nas apurações como local usado por Lulinha durante passagens por Brasília.

O relato, porém, não comprova que negociações investigadas pela PF tenham ocorrido dentro da residência. A defesa também rejeitou essa associação. “Não há nenhuma comprovação nos autos de que a casa tenha sido utilizada pelos dois para reuniões ou negociações”, afirmou a defesa de Lulinha.

Três frentes

A importância dessas novas peças aparece quando elas são colocadas ao lado do que a PF já investiga. Lulinha é alvo de três inquéritos autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), dois sob a relatoria de André Mendonça e outro conduzido por Flávio Dino.

Uma das frentes apura uma tentativa de levar ao Ministério da Saúde um negócio envolvendo medicamentos à base de canabidiol. Roberta recebeu R$ 1,5 milhão de Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, para atuar na tentativa de viabilizar a operação. Ela chegou a encaminhar ao então chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, um documento relacionado ao projeto. O negócio não avançou.

A defesa de Lulinha sustenta que o material era um termo de referência e ressalta que não houve resultado a partir do envio. O advogado também negou que o filho do presidente participe dos negócios da empresária. “O Fábio Luiz Lula da Silva não tem relação direta ou indireta com qualquer tipo de negócio mantido pela empresária Roberta Luchsinger, de quem ele é amigo”, afirmou.

Outra frente investiga suspeitas relacionadas à Dataprev e negócios de uma empresa de tecnologia com o governo. O terceiro inquérito alcança relações dentro do próprio Palácio do Planalto e apura a atuação de aliados de Lulinha em órgãos federais.

A defesa de Lulinha acusa setores da PF de promover vazamentos com interesses políticos e eleitorais, mas faz uma distinção entre esses investigadores e a instituição. “A PF é uma instituição que eu respeito”, afirmou.

O caso avança em pleno ano eleitoral e já obrigou o próprio presidente a se manifestar. Lula afirmou recentemente que acredita no filho, mas disse não conhecer a verdade sobre os fatos e defendeu que as investigações prossigam.

Com três inquéritos em andamento no Supremo, a investigação entra agora numa etapa que vai além de mapear a proximidade entre Lulinha e Roberta, agora, a PF tenta descobrir se essa relação pessoal também se transformou em atuação coordenada para abrir portas e fazer negócios dentro do governo.