Mesmo após concluir o primeiro inquérito da Operação Sem Desconto, a Polícia Federal (PF) continua avançando sobre o patrimônio dos investigados apontados como integrantes do esquema que desviou milhões de reais de aposentados e pensionistas do INSS.
Nesta terça-feira (21), agentes cumpriram um novo mandado de busca e apreensão e recolheram três veículos pertencentes ao empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", apontado pela investigação como um dos principais operadores da organização criminosa que desviou milhões de aposentados e pensionistas. A medida foi autorizada pelo ministro André Mendonça, relator do inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo a PF, os automóveis estavam guardados em vagas privativas de um edifício em Brasília. Foram apreendidos um BMW M5, um Audi R8 V10 e um Chevrolet Opala Diplomata. Além dos dois modelos esportivos de alto valor, o Opala chama atenção por ser considerado um veículo de colecionador, com preço valorizado no mercado.
Defesa se explica
Em nota, a defesa de Antônio Carlos Camilo Antunes afirmou que a existência e a localização dos veículos já haviam sido informadas ao processo em outubro de 2025, mesmo após a Justiça determinar a apreensão dos bens.
Segundo os advogados, a comunicação foi feita justamente para afastar qualquer suspeita de ocultação patrimonial. A defesa sustenta ainda que os automóveis permaneceram, desde então, à disposição das autoridades e que essa informação foi reiterada em diversas manifestações apresentadas ao Supremo.
Camilo Antunes já havia sido indiciado pela Polícia Federal no primeiro inquérito concluído da Operação Sem Desconto, que apura um amplo esquema de descontos associativas irregulares sobre benefícios pagos pelo INSS.
Maior fraude do INSS
Deflagrada em abril de 2025, a Operação Sem Desconto apura um dos maiores escândalos já investigados no INSS. Segundo a Polícia Federal, o esquema envolve cerca de R$ 6,3 bilhões em descontos associativos irregulares realizados entre 2019 e 2024. As investigações continuam para identificar todos os envolvidos e a extensão das fraudes.
Até o momento, a polícia conseguiu concluir a primeira fase da operação e indiciou ao todo 48 pessoas. Nessa etapa, as investigações se concentraram nas suspeitas de desvios envolvendo a Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer).
A entidade mantinha um acordo com o INSS que permitia a cobrança de mensalidades associativas diretamente nos benefícios. A Polícia Federal estima que as fraudes na Conafer tenham desviado pelo menos R$ 708 milhões.
Além do "Careca do INSS", o primeiro inquérito também resultou no indiciamento do ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto, do presidente da Conafer, Carlos Roberto Ferreira Lopes, do ex-procurador do instituto Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, do ex-diretor de Benefícios e ex-ministro da Previdência José Carlos Oliveira e do ex-deputado Euclydes Pettersen. Embora essa etapa tenha sido concluída, as investigações continuam em andamento.
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