IA nas eleições

TSE é pressionado a definir limites para uso de IA antes do horário eleitoral

Corte já proíbe deepfakes para favorecer ou prejudicar candidatos, mas julgamento de casos envolvendo vídeos de inteligência artificial pode consolidar regras para a campanha de 2026

TSE é pressionado a definir limites para uso de IA antes do horário eleitoral
IA de Bolsonaro é a razão do julgamento no TSE Crédito: Reprodução/PL YouTubw

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) entra na reta final antes do início do horário eleitoral gratuito sob pressão para consolidar o entendimento sobre o uso de inteligência artificial nas campanhas. A propaganda eleitoral no rádio e na televisão começa nesta sexta-feira (28), e a regulamentação da Corte já estabelece limites para conteúdos produzidos ou modificados por IA.

A principal preocupação envolve os chamados deepfakes, conteúdos manipulados por inteligência artificial capazes de criar imagens, vídeos ou áudios que fazem pessoas reais parecerem dizer ou fazer algo que não ocorreu. A regra eleitoral proíbe esse tipo de material quando utilizado para favorecer ou prejudicar uma candidatura.

Além da proibição de deepfakes, o TSE determina que conteúdos sintéticos produzidos ou significativamente modificados por inteligência artificial sejam identificados de maneira explícita, destacada e acessível. A regulamentação foi criada para reduzir o risco de desinformação e preservar o equilíbrio da disputa eleitoral.

O tema ganhou força depois que o PL utilizou, durante sua convenção nacional, um vídeo produzido com inteligência artificial no qual o ex-presidente Jair Bolsonaro aparece declarando apoio à candidatura do filho, o senador Flávio Bolsonaro. O caso foi levado à Justiça Eleitoral e passou a ser utilizado como referência na discussão sobre os limites da tecnologia durante a campanha.

A controvérsia está justamente na diferença entre utilizar IA para produzir material de campanha e utilizar a tecnologia para simular uma pessoa real. A regulamentação do TSE não proíbe toda utilização de inteligência artificial, mas estabelece restrições específicas para conteúdos manipulados e para a produção de material capaz de interferir de maneira indevida na formação da vontade do eleitor.

Regra do TSE para inteligência artificial

A resolução que regulamenta a propaganda eleitoral em 2026 determina que a utilização de conteúdo sintético multimídia deve ser informada ao eleitor. A identificação é obrigatória quando o material for criado ou significativamente alterado por inteligência artificial ou tecnologia equivalente.

O TSE também considera irregular o uso de conteúdo fabricado ou manipulado para divulgar fatos notoriamente falsos ou descontextualizados capazes de causar danos ao equilíbrio da eleição ou à integridade do processo eleitoral.

A Corte criou ainda um Conselho Consultivo sobre Integridade Informacional nas Eleições 2026. O colegiado tem entre suas atribuições acompanhar riscos relacionados à inteligência artificial, conteúdos sintéticos, gravações manipuladas e mecanismos automatizados de desinformação.

Em agosto, o TSE também firmou acordo de cooperação técnica com a Advocacia-Geral da União (AGU) para estabelecer boas práticas relacionadas ao uso de IA nas eleições. A iniciativa inclui medidas para reduzir riscos de deepfakes, automação ilícita e microdirecionamento de conteúdos manipulados.

Horário eleitoral começa nesta sexta

A discussão ocorre justamente na semana em que a propaganda eleitoral gratuita começa no rádio e na televisão. Segundo o calendário oficial, o horário eleitoral do primeiro turno será exibido de 28 de agosto a 1º de outubro.

O TSE já colocou em funcionamento, nesta segunda-feira (24), o chamado pool de emissoras responsável pelo recebimento das mídias e pela geração do sinal da propaganda eleitoral gratuita. A estrutura funcionará durante o período de campanha para organizar a distribuição do material dos partidos e candidatos.

A proximidade do horário eleitoral aumenta a importância de uma interpretação uniforme das regras. A definição dos limites para vídeos, áudios e imagens gerados por IA poderá orientar não apenas a propaganda na televisão, mas também o conteúdo publicado por candidatos, partidos e apoiadores nas redes sociais.

O desafio da Justiça Eleitoral é estabelecer uma linha clara entre o uso legítimo de ferramentas de inteligência artificial e a manipulação capaz de enganar o eleitor. Com a campanha presidencial entrando em uma fase de maior exposição, conteúdos sintéticos podem ganhar alcance rapidamente e dificultar a identificação da origem ou autenticidade das informações.

Por isso, a regulamentação do TSE passa a ocupar papel central na disputa de 2026. A Corte terá de aplicar as regras já aprovadas a casos concretos e definir, diante das novas tecnologias, quais conteúdos ultrapassam os limites da propaganda eleitoral permitida.