Nunes Marques

TSE marca reunião sobre IA após deepfake de Bolsonaro

Nunes Marques pretende discutir regras para inteligência artificial nas eleições a partir de ação que questiona vídeo usado na convenção de Flávio Bolsonaro

TSE marca reunião sobre IA após deepfake de Bolsonaro
Jair Bolsonaro apareceu em criação de IA na convenção nacional do PL Crédito: Reprodução/PL YouTubw

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, marcou para quinta-feira (13) uma reunião com os demais ministros da Corte para discutir o uso de inteligência artificial (IA) durante as eleições de 2026.

O encontro ocorrerá após a sessão do tribunal e terá como ponto de partida um caso envolvendo um vídeo produzido com inteligência artificial e utilizado durante a convenção que oficializou o senador Flávio Bolsonaro (PL) como candidato à Presidência da República.

A iniciativa ocorre em meio ao avanço do uso de ferramentas de inteligência artificial no processo eleitoral e à necessidade de definir os limites para conteúdos produzidos ou modificados digitalmente durante a campanha.

Na reunião, Nunes Marques também deverá tratar da definição da data para o julgamento da ação que questiona o uso do vídeo apresentado na convenção de Flávio Bolsonaro.

PT questiona vídeo produzido com inteligência artificial

A ação foi apresentada pelo Partido dos Trabalhadores (PT), que sustenta que o conteúdo ultrapassou os limites estabelecidos pela legislação eleitoral e teria configurado propaganda eleitoral antecipada.

O vídeo foi exibido durante a convenção nacional do Partido Liberal, realizada em 25 de julho. Na gravação, uma representação digital de Jair Bolsonaro aparece falando aos participantes do evento e declarando apoio à candidatura do filho.

Embora o conteúdo informe que se trata de uma simulação produzida por inteligência artificial, a imagem reproduz características visuais e a voz do ex-presidente.

Na gravação, a versão digital de Bolsonaro afirma que aquela não era uma aparição real e explica que sua imagem e voz foram recriadas por meio de inteligência artificial. Em seguida, menciona sua prisão e afirma que nenhum impedimento seria capaz de interromper o movimento político que, segundo a mensagem, teria ajudado a construir.

Na sequência, o vídeo pede que os participantes da convenção recebam Flávio Bolsonaro e apresenta o senador como o nome escolhido para substituí-lo.

PT vê pedido de voto no conteúdo

Para o PT, a referência direta à disputa presidencial e a forma como Flávio Bolsonaro é apresentado no vídeo equivalem a um pedido explícito de votos.

A legenda também argumenta que a utilização de conteúdo sintético para beneficiar uma candidatura pode violar as regras eleitorais, mesmo quando a produção deixa claro que a imagem ou a voz reproduzida foi criada artificialmente.

O caso deverá servir como um dos primeiros testes do TSE sobre os limites da inteligência artificial na campanha presidencial deste ano.

A discussão ganha relevância diante da capacidade das novas ferramentas de produzir imagens, áudios e vídeos cada vez mais semelhantes aos registros reais de pessoas públicas.

Defesa de Flávio Bolsonaro contesta irregularidade

A defesa de Flávio Bolsonaro nega que o vídeo tenha configurado pedido de voto feito por Jair Bolsonaro.

Os advogados sustentam que a produção não infringiu a legislação eleitoral porque deixou explícito que a participação do ex-presidente era uma simulação feita por inteligência artificial.

Segundo a defesa, os espectadores foram informados de que não havia presença física de Jair Bolsonaro, transmissão ao vivo ou utilização de uma gravação autêntica do ex-presidente.

Os advogados também contestam a classificação do material como “deepfake”. Na argumentação apresentada ao tribunal, o recurso utilizado seria comparável a elementos gráficos tradicionalmente empregados em campanhas, como máscaras, caricaturas e bonecos de papel.

TSE deverá definir data do julgamento

A reunião convocada por Nunes Marques ocorrerá depois da sessão do TSE prevista para a manhã de quinta-feira (13).

Além de discutir o uso da inteligência artificial nas eleições, os ministros deverão avaliar quando o processo envolvendo o vídeo utilizado na convenção de Flávio Bolsonaro será levado ao plenário.

O julgamento poderá estabelecer parâmetros para casos semelhantes envolvendo conteúdos produzidos ou modificados por inteligência artificial durante a campanha eleitoral.

A discussão coloca o TSE diante de um dos principais desafios das eleições de 2026: definir até onde candidatos e partidos poderão utilizar ferramentas de IA para criar representações digitais de políticos e quais informações deverão ser apresentadas ao eleitor para diferenciar uma produção artificial de um conteúdo autêntico.