A disputa pelo Senado entrou de vez na estratégia eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Nesta quinta-feira (13), mais de 30 candidatos de 18 estados foram até a sede da campanha, no Lago Sul, em Brasília, para gravar peças ao lado do presidente. A agenda continua nesta sexta-feira (14) e inclui também candidatos aos governos estaduais.
A quantidade de gravações ocorre em meio a uma preocupação da campanha com a composição do Congresso a partir de 2027. A orientação é fortalecer não apenas candidatos do PT, mas também aliados que possam ampliar a base de apoio de Lula no Senado.
O senador Humberto Costa (PT-PE), um dos participantes, resumiu o objetivo como a eleição de uma “bancada lulista”. Já o líder do PT no Senado, Camilo Santana (CE), afirmou que a prioridade não se limita aos nomes do partido.
“Há uma prioridade do PT, uma orientação também do presidente Lula, para que a gente possa fazer o máximo possível de senadores, não só senadores do Partido dos Trabalhadores, mas senadores aliados e da base do governo do presidente Lula”, disse.
Operação
A campanha montou uma espécie de escala para receber os candidatos em Brasília. De acordo com Camilo, os primeiros foram os aliados que já ocupam cargos nos estados. Bahia e Ceará estiveram entre os primeiros grupos. Depois, Lula recebeu representantes de outros estados, entre eles Minas Gerais, Espírito Santo, Pernambuco, Maranhão e Santa Catarina.
Entre os nomes que passaram pelas gravações estão Jaques Wagner e Jerônimo Rodrigues, da Bahia; Elmano de Freitas e Camilo Santana, do Ceará; Humberto Costa, de Pernambuco; Benedita da Silva, do Rio de Janeiro; Marília Campos, de Minas Gerais; além de Leandro Grass e Leila Barros, no Distrito Federal.
Os convites estão sendo feitos pelo presidente do PT, Edinho Silva, que também coordena a campanha de Lula. Segundo relatos de interlocutores, o presidente passou boa parte do dia gravando, fez piadas e chegou a ajudar alguns candidatos durante as filmagens.
Formato
As peças não serão todas iguais. Existe um roteiro-base, mas parte do conteúdo é adaptada para a realidade eleitoral de cada estado. Camilo explicou que algumas situações receberam textos específicos. Como o pedido explícito de voto ainda não está autorizado, a campanha está deixando o material pronto para divulgação após o início oficial da corrida eleitoral, no domingo (16).
Nas gravações feitas nesta quinta, Lula concentrou a maior parte das falas e os candidatos ficaram responsáveis pelo encerramento. O presidente também deve participar de inserções curtas, de seis segundos, destinadas às campanhas de candidatos a deputado. A intenção é estender o apoio presidencial às disputas pela Câmara.
A rodada continua nesta sexta com candidatos que não conseguiram participar do primeiro dia. Entre os esperados está Eduardo Paes, candidato no Rio de Janeiro.
Dois lados
Flávio Bolsonaro (PL) também começou a produzir material ao lado de candidatos nos estados. Na terça-feira (11), ele esteve com Michelle Bolsonaro, candidata ao Senado pelo Distrito Federal, para uma gravação destinada ao horário eleitoral. O encontro também chamou atenção por ter sido o primeiro presencial entre os dois desde os atritos envolvendo madrasta e enteado.
A propaganda eleitoral estará liberada a partir de domingo. Já os programas no rádio e na televisão começam em 28 de agosto. Até lá, as campanhas aproveitam os últimos dias antes da largada oficial para deixar prontas as peças que vão apresentar os candidatos aos eleitores.
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