Em menos de uma semana, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, passou a ser alvo de três pedidos de investigação distintos no Supremo Tribunal Federal (STF). Depois de o ministro André Mendonça autorizar a abertura de dois inquéritos na semana passada, a Polícia Federal (PF) encaminhou um novo pedido à Corte, ampliando as suspeitas envolvendo o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Assim, em poucos dias, três apurações diferentes passaram a mirar a atuação do empresário, todas sob a suspeita de tráfico de influência.
Embora tratem de episódios distintos, os procedimentos seguem uma mesma linha. A PF tenta esclarecer se Lulinha atuava como uma espécie de ponte entre empresários e integrantes do governo federal. A suspeita é que ele usasse a proximidade com o Palácio do Planalto para facilitar contatos e negociações em diferentes órgãos da administração pública.
Foi essa hipótese que deu origem aos dois primeiros inquéritos autorizados por André Mendonça. Um deles apura a suposta atuação de Lulinha em favor de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, em negociações envolvendo o Ministério da Saúde e o mercado de cannabis medicinal. O outro mira a suspeita de favorecimento a empresários interessados em contratos com a Dataprev. Agora, a PF quer aprofundar uma terceira frente, também relacionada à atuação do filho do presidente em favor de empresas privadas.
Uma dessas empresas é a 3Structure IT Ltda. Documentos analisados pelo Correio da Manhã mostram que a companhia acumulou contratos com diferentes órgãos federais entre 2022 e 2026. O levantamento identificou acordos com o Exército, o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS), a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) e o Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES), que, juntos, somam aproximadamente R$ 75 milhões. A maior parte desse valor está concentrada em dois contratos firmados com o MDS. A existência dessas contratações, no entanto, não é o que está sob investigação. O que a PF busca esclarecer é se houve influência de Lulinha para aproximar a empresa de integrantes do governo ou facilitar negociações dentro da administração pública.
Defesa fala em perseguição
O avanço das investigações provocou reação da defesa. O advogado Marco Aurélio Carvalho esteve com o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, para apresentar um protesto formal contra a atuação da Polícia Federal. Segundo ele, a abertura sucessiva de inquéritos representa uma "pesca probatória", quando investigadores buscam elementos sem que existam indícios concretos previamente delimitados. A defesa também pediu a apuração de um suposto vazamento de informações obtidas após a quebra de sigilo autorizada pelo STF e que informações protegidas teriam sido utilizadas com finalidade político-eleitoral.
Em meio ao caso, o presidente Lula afirmou que não pretende interferir nas investigações. Em entrevista ao podcast Inteligência Ltda., ele disse que o filho, que mora atualmente na Espanha, voltará ao Brasil caso precise responder à Justiça. Segundo o presidente, Lulinha terá de provar a própria inocência e, se ficar comprovada alguma irregularidade, deverá responder como qualquer outro cidadão.
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