A prefeitura do Rio de Janeiro, administrada por Eduardo Paes, do PSD, até março deste ano, foi o destino de R$ 6,6 milhões incluídos pela Polícia Federal (PF) entre as emendas parlamentares atribuídas a Valdemar Costa Neto. Os recursos direcionados pelo presidente do PL beneficiaram pelo menos seis outros partidos — PSD, PDT, Republicanos, Novo, União Brasil e PP — em 17 municípios de quatro estados brasileiros.
De acordo com as investigações, mesmo sem mandato parlamentarm Valdemar destinou R$ 119 milhões em 21 emendas ao chamado “orçamento secreto” da Câmara nas áreas de turismo, saúde e esportes. O valor foi bloqueado por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino. As emendas apontadas pela PF foram apresentadas entre junho de 2024 e dezembro de 2025.
Os dados apresentados pela PF no relatório enviado a Dino mostram que Valdemar enviou R$ 71 milhões para prefeituras administradas pelo PL. Desse total, R$ 26,8 milhões foram destinados a Suzano (SP), R$ 25 milhões para Porto Seguro (BA), R$ 9 milhões para Bebedouro (SP), R$ 7 milhões para Ubatuba (SP), R$ 3 milhões para Mogi das Cruzes (SP) e R$ 220 mil para Ilha Solteira (SP).
O PSD foi o segundo partido que mais recebeu dinheiro das emendas irregulares atribuídas a Valdemar Costa Neto. Foram R$ 32,5 milhões destinados a prefeituras do partido, sendo R$ 23 milhões para Caraguatatuba (SP), R$ 6,6 milhões para o Rio de Janeiro (RJ), R$ 2,4 milhões para Itaguaçu da Bahia (BA), R$ 220 mil para Macedônia (SP) e R$ 280 mil para Guaimbé (SP).
O Republicanos apareceu na lista como beneficiário de R$ 9,5 milhões em três emendas destinadas à cidade de Santa Fé do Sul (SP). O PDT também teve um município beneficiado, Morro do Chapéu (BA), com uma emenda de R$ 4,7 milhões.
Entre os municípios citados pela PF como beneficiários das emendas de Valdemar estão dois administrados pelo União Brasil. Os repasses totalizam R$ 800 mil, sendo R$ 500 mil para Iepê (SP) e R$ 300 mil para Dom Elizeu (PA).
Para o Novo, Valdemar destinou R$ 290 mil, enviados à cidade de Cafelândia (PR). Já o PP apareceu na lista com o município de Presidente Venceslau (SP), que recebeu R$ 220 mil.
Investigação
O direcionamento irregular de emendas feito pelo presidente do PL foi descoberto a partir da Operação Transparência, que teve como alvo a servidora Mariângela Fialek, conhecida como “Tuca”, ex-assessora do ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP). Ela é apontada como peça central no esquema de manipulação de emendas secretas do Congresso investigado pela PF.
No celular apreendido com Tuca na Operação Transparência, a PF localizou conversas que revelavam o envolvimento de Valdemar na indicação de emendas que totalizavam R$ 119 milhões. Desse valor, R$ 104 milhões já teriam sido pagos. As emendas foram identificadas mediante cruzamento de dados do Portal da Transparência, das listas encontradas com Tuca e das conversas com outros servidores.
A perícia do aparelho mostrou a existência de um “arranjo decisório paralelo” para a destinação de emendas e ocultação da participação do presidente do PL. Como Valdemar não tem mandado parlamentar, as emendas eram registradas em nome de deputados do PL, com repasses para as áreas de saúde, turismo e esportes em municípios localizados, em sua maioria, no estado de São Paulo.
Para a PF, Valdemar e os três servidores cometeram crime de peculato, com desvios de recursos para fins alheios ao interesse público. “Considerando que os elementos encontrados no celular de TUCA deixam claro que essas emendas eram indicações de Valdemar Costa Neto, o fato de que
outros parlamentares tenham sido alocados como ‘solicitantes’ só agrava o processo de fraude de
encaminhamento e desvio dos recursos”, afirma a corporação.
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