O governo brasileiro intensifica nesta semana as negociações com os Estados Unidos para tentar impedir a aplicação de novas tarifas sobre produtos nacionais. A expectativa é de que equipes técnicas dos dois países realizem novos encontros antes de uma reunião de alto nível, considerada decisiva, marcada para ocorrer antes de 15 de julho, prazo final para que o governo norte-americano anuncie se colocará em prática as medidas comerciais.
Caso sejam confirmadas, as tarifas adicionais poderão elevar em até 37,5% a taxação incidente sobre parte das exportações brasileiras destinadas ao mercado americano.
Brasil apresenta plano para reduzir impacto das tarifas
Na última quinta-feira (2), o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Márcio Elias, participou de uma reunião virtual com o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, dando continuidade às negociações entre os dois governos.
Durante o encontro, a equipe brasileira apresentou um "mapa do caminho", documento que reúne propostas para atender parte das preocupações manifestadas pela administração do presidente Donald Trump sobre práticas comerciais adotadas pelo Brasil.
O plano prevê medidas para reforçar garantias de que políticas brasileiras não criam barreiras ou prejuízos ao comércio com os Estados Unidos.
PIX permanece fora das negociações
Apesar da disposição para discutir diversos temas, o governo brasileiro mantém posição firme em relação ao PIX, sistema de pagamentos instantâneos desenvolvido pelo Banco Central.
Segundo integrantes do governo, o mecanismo não será alvo de mudanças. Em contrapartida, o Brasil sinalizou abertura para avançar em outras áreas apontadas pelos Estados Unidos, como:
- acesso ao mercado de etanol;
- proteção da propriedade intelectual;
- combate à corrupção;
- combate ao desmatamento ilegal;
- revisão de tarifas consideradas preferenciais.
Planalto vê pouca chance de suspensão total das medidas
Nos bastidores, integrantes do Palácio do Planalto avaliam que a reversão completa do chamado tarifaço é improvável.
A estratégia do governo é apresentar dados sobre o comércio bilateral e argumentos técnicos para tentar reduzir o impacto das medidas ou ampliar a lista de produtos que poderão ficar isentos das novas tarifas.
A avaliação interna é de que a decisão americana possui forte componente político, reduzindo as chances de um recuo integral por parte de Washington.
Entenda as tarifas propostas pelos Estados Unidos
A ofensiva comercial dos Estados Unidos foi anunciada após investigações conduzidas pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR).
Uma das propostas prevê uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, sob a alegação de práticas consideradas restritivas ao comércio americano.
Paralelamente, outra investigação sugeriu uma sobretaxa de 12,5%, baseada na avaliação de que o Brasil não teria adotado medidas suficientes para impedir a entrada de produtos produzidos com trabalho forçado.
Se ambas forem implementadas de forma cumulativa, a carga adicional poderá chegar a 37,5% para determinados produtos exportados aos Estados Unidos.
Produtos estratégicos podem ficar de fora
Antes da entrada em vigor das medidas, o governo americano ainda concluirá o processo de consulta pública, incluindo audiências previstas para os dias 6 e 7 de julho.
Os Estados Unidos já indicaram que alguns produtos considerados estratégicos poderão permanecer isentos das novas tarifas. Entre eles estão:
- café;
- carne;
- frutas;
- aeronaves;
- fertilizantes;
- minerais críticos.
Enquanto aguarda a decisão final, o governo brasileiro pretende manter o diálogo diplomático e comercial com Washington na tentativa de reduzir os impactos sobre as exportações nacionais.
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